Quem devia sair era o Francisco!
Na suíte principal, Francisco sentou-se na cama suportando a dor de cabeça, massageando as têmporas que latejavam.
Na noite anterior, de péssimo humor após a conversa com Wilson Vieira, ele bebeu sozinho.
Havia um pequeno bar em seu quarto.
Bebeu alguns copos. Não chegou a ficar bêbado, mas acordou com dor de cabeça.
Ele queria ter se embriagado. Se estivesse bêbado, talvez conseguisse ganhar tempo e não precisasse ir ao cartório hoje.
Mas acabou desistindo, com medo de ser xingado por Daniela.
Atualmente, ela não tinha a menor cerimônia com ele. Quando o xingava, era para valer, uma verdadeira surra verbal.
Para ser honesto, desde que cresceu, raramente alguém o havia repreendido de forma tão avassaladora.
Daniela já o tinha esculhambado várias vezes e ele nem sequer ficava com raiva.
Sua tolerância com ela só aumentava. Infelizmente, ela se recusava a dar-lhe outra chance e estava determinada a se divorciar.
Francisco suspirou internamente.
Suportando a dor de cabeça, trocou de roupa e fez sua higiene matinal. Lembrou-se da aliança de casamento. Logo após o casamento, ele a havia tirado.
Onde a tinha colocado?
Francisco revirou o quarto até encontrar a aliança e a colocou de volta no dedo anelar.
A aliança de Daniela também não estava mais no dedo dela.
Era irônico. Dois dias após o casamento, ele tirou a aliança. Agora, prestes a se divorciar, ele a procurava para usar novamente.
De que adiantava?
Não traria o coração de Daniela de volta.
Ela disse que não o amava mais, que não o queria mais.
A pessoa abandonada era ele!
Carregado de arrependimento e dor, Francisco saiu do quarto e desceu as escadas.
Ouvindo os passos, Juliana saiu e esperou por ele ao pé da escada.
— O Senhor não deveria ter confessado tudo para a Senhora no início.
Francisco não respondeu.
Na época do casamento, ele só via Daniela como uma peça a ser usada. Preocupado que ela exigisse que ele cumprisse seus deveres de marido, contou a verdade sobre o motivo do casamento.
Se soubesse que chegaria a este ponto, jamais teria confessado, nem sob tortura.
Agora, era tarde demais para qualquer coisa.
— O Senhor deve tomar café primeiro.
Francisco entrou na sala de jantar. Juliana serviu o café da manhã e o copo de água com mel, colocando-os à sua frente.
Francisco comeu sem sentir o sabor.
Bebeu meio copo da água com mel e deu algumas garfadas na comida, mas logo parou.
— Senhor, coma mais um pouco, você emagreceu muito — insistiu Juliana.
— Juliana, não consigo. Estou sem apetite.

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