Antes, ela só tinha olhos para ele.
Agora, ele era apenas o homem que ela enxotara da sua vida e do seu coração.
— Quem te contou isso?
Daniela perguntou.
Ele estava colocando alguém para espioná-la de novo?
— Fui na sua loja hoje à noite, mas você não estava. Perguntei às atendentes e elas disseram que você tinha ido levar um remédio para alguém.
Daniela apertou os lábios antes de responder: — Você deixou o Senhor Amaral naquele estado. Fui levar um remédio para ele só para consertar a besteira que você fez.
— Francisco, agora que você já esfriou a cabeça, me ouça bem...
— Daniela, eu fiquei aqui esperando por duas horas. Pode me deixar entrar um pouco? A gente se senta e conversa.
Francisco a interrompeu, implorando para entrarem na casa.
Após um breve silêncio, Daniela rebateu: — E você não tem mais a chave?
Até onde se lembrava, ele ainda não havia devolvido o molho de chaves para ela.
Francisco explicou: — Esta casa agora é sua. Mesmo tendo a chave, sem a sua permissão, eu jamais ousaria entrar. Fiquei com medo de você ficar brava.
Daniela comprimiu os lábios novamente e cedeu: — Então abre o portão e tira o seu carro da frente para eu poder entrar.
Ao receber a autorização, Francisco usou a chave para destrancar os portões da mansão. Voltou para o carro, entrou na propriedade e, movido pela força do hábito, só parou diante da porta principal.
Quando percebeu o que havia feito, quis dar marcha à ré, mas viu que Daniela já vinha logo atrás. Acabou deixando o carro onde estava.
Saiu do veículo e caminhou até o portão para fechá-lo.
Daniela não esperou por ele; entrou na casa na frente.
Parado em frente à entrada principal, Francisco foi tomado por uma melancolia repentina. Como é que ele e a Daniela tinham chegado àquele ponto?
Aquela casa, sem sombra de dúvida, já havia sido o lar dos dois.
Agora, para pisar ali, precisava pedir permissão a ela.
A culpa era toda dele.
Francisco bebeu o seu até a metade.
Sentou-se de frente para Daniela, em uma posição onde as marcas roxas e os hematomas em seu rosto ficassem bem visíveis para ela.
O inchaço havia diminuído bastante após ele aplicar compressas de gelo, mas as manchas escuras ainda marcavam sua pele.
No fundo, ele ansiava por ouvir alguma palavra de consolo ou preocupação da parte dela.
Ao soltar o copo sobre a mesa, ele levou a mão ao próprio rosto, fazendo uma careta e encolhendo-se ao menor toque, fingindo que estava doendo horrores.
— A sua amada passou a tarde toda cuidando de você e nem assim melhorou?
Daniela abriu a boca, mas suas palavras vieram carregadas de um sarcasmo cortante.
Como é que ela sabia que a Cíntia tinha ido ao hotel naquela tarde?
— Daniela, não rolou nada entre mim e a Cíntia. Admito que no passado fui muito apaixonado por ela, mas já estou superando isso aos poucos. Ela foi ao hotel sim, mas quem colocou o gelo no meu rosto fui eu mesmo. Não deixei que ela cuidasse de mim.
— Daqui para frente, eu vou manter distância o tempo todo.

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