Para piorar a situação, o carro de Daniela tinha sido um presente do próprio Francisco. E lá estava ela, dirigindo o carro que ele lhe dera, para levar aquele “grande amigo” ao trabalho.
Que tipo de amigo era o Victor, afinal? Um amigo que estava descaradamente tentando roubar a sua esposa!
Mesmo sabendo que ele nutria sentimentos por ela, que queria reconquistá-la e torná-la sua esposa mais uma vez, Victor não parava de inventar desculpas esfarrapadas para se aproximar, cheio de más intenções.
Na noite anterior, Daniela havia chegado de madrugada.
Primeiro, acompanhou as gravações da série. Depois, foi com Elisa a um evento de negócios. Aliás, o seu modesto estúdio havia se transformado em uma empresa voltada à cultura e ao entretenimento.
Além de investir nos projetos que Elisa tinha em mãos, também começou a fechar parcerias comerciais graças a ela. A ideia de abrir mais uma empresa começava a ganhar forma e já estava em fase de planejamento.
Por tudo isso, a sua agenda estava abarrotada. Tão cheia, que ela mal se lembrava de que Francisco existia.
Naquela manhã, só foi acordar perto das oito horas. Ao ver o relógio, pulou da cama apressada.
Após uma rápida higiene matinal, desceu as escadas correndo.
Não ia sequer tomar café da manhã; o plano era pedir alguma coisa pelo aplicativo assim que chegasse ao escritório.
Depois que a mãe assinou o divórcio, Daniela sugeriu que ela viajasse para relaxar. O tio e a tia a acompanharam, e os três partiram em uma viagem de descanso. Como Daniela ainda não tivera tempo para contratar novos funcionários, estava sozinha naquela imensa casa.
O ambiente era desolador e frio. Como acordara tarde, não havia nada pronto para comer.
Ultimamente, a frequência com que pedia comida em casa tinha aumentado bastante.
Janaina vivia dando broncas nela, insistindo para que evitasse essas comidas prontas e passasse na livraria na hora das refeições, pois fazia questão de cozinhar para Daniela na pequena copa da loja.
Janaina não dispunha de tanto capital para investir nos projetos de Elisa, então ficava tomando conta das suas duas lojas. Nos momentos de folga, lia roteiros e, de vez em quando, acompanhava as filmagens. Mas a verdade é que o seu maior interesse nos sets era ficar de olho nos rapazes e moças bonitos.
— Daniela, este buquê de flores e estes produtos de beleza são para você.
Francisco estendeu as flores, as sacolas de cremes e a marmita térmica em direção a ela. Com a voz embargada pela preocupação, disse: — Olha para você, correndo de um lado para o outro o dia inteiro. Nem eu, que sou presidente de um grande grupo, tenho uma rotina tão sobrecarregada quanto a sua.
— Você emagreceu. Eu te falei para continuar com os serviços da Juliana e do resto dos empregados. Eu pagaria os salários deles, você não precisaria desembolsar um centavo. Pelo menos eu ficaria mais tranquilo sabendo que há alguém para cuidar das suas três refeições diárias, mas você insiste em me manter afastado da sua vida.
— Francisco.
Daniela não pegou as flores nem os cosméticos. — Leve essas coisas de volta. Não aceitarei nenhum presente seu. E também não preciso do café da manhã; vou pedir comida quando chegar ao trabalho.
— Quando a minha mãe voltar de viagem, ela se mudará para cá e passará a cozinhar para mim.
A sua mãe cozinhava muito bem. Afinal, no passado, administrava um restaurante de frutos do mar junto com o seu pai biológico. Com o tempo, após o casamento com Wilson Vieira e a sua ascensão à vida de madame rica, teve de melhorar ainda mais a forma de cozinhar todos os dias, testando receitas elaboradas para satisfazer o paladar exigente de Wilson.

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