Cíntia sabia muito bem disso.
Ela também estava presente no dia em que os dois foram ao cartório dar entrada no processo de divórcio.
O período de espera era de apenas trinta dias, e ela estava contando as horas.
Foi justamente por saber que o divórcio se oficializaria hoje que fez questão de aparecer. Queria ver com os próprios olhos a separação dos dois.
O fato de ter comprado alguns presentes era apenas uma fachada; usava o pedido de desculpas como um pretexto perfeito e inquestionável para a sua visita.
Ter manipulado Isabel para drogar Daniela não saíra como o esperado, acabando por prejudicar Francisco no processo. De fato, ela lhe devia um pedido de desculpas sincero.
Quando Daniela insistiu em levar o caso à polícia, foi apenas graças à intervenção de Francisco que Cíntia escapou de uma condenação, cumprindo apenas um breve período de detenção.
— Francisco, isso significa que você não quer assinar o divórcio com a Daniela? Ou será que ela mudou de ideia e decidiu não se separar de você?
— Independentemente do motivo, você não devia fumar tanto. O excesso de cigarro faz mal à saúde. — Cíntia caminhou até o lado de Francisco, a voz carregada de uma falsa compaixão.
— A Daniela não vai se preocupar com você. Já que não existe mais sentimento entre vocês dois, é melhor que se divorciem logo. Eu até tentei aconselhá-la, mas ela se recusa a ouvir. Agora, ela me vê como a sua pior inimiga.
— Eu sinceramente não sei onde foi que eu errei com ela. Desde que me envolvi com a Família Vieira, sempre achei que tratava bem a minha futura cunhada, mas ela me odeia tanto.
— Tudo bem, o incidente com a droga foi um erro meu, admito. Mas não fui eu quem quis machucá-la. Foi a sua irmã que se meteu em uma briga com ela e, querendo fazê-la passar vergonha, me pediu para conseguir aquelas substâncias. Eu só ajudei a conseguir aquilo.
— Era só uma brincadeira de mau gosto, não o que a Daniela anda insinuando. A ideia era só fazê-la passar vergonha, não chegar àquele ponto.
— Mas ela age como se quisesse me ver morta. Desde que saí da delegacia, mal tenho coragem de pôr o pé pra fora. Quando saio, preciso me cobrir dos pés à cabeça, morrendo de medo de ser flagrada por paparazzi. A minha reputação está arruinada.
Francisco virou a cabeça e a encarou.
Ouvia tudo em um silêncio absoluto, e o olhar dele estava tão frio e distante que o coração de Cíntia apertou na mesma hora.

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