Francisco ficou atormentado por esses pensamentos até o amanhecer.
Quando os empregados chegaram para trabalhar e o viram sentado na sala, todos ficaram momentaneamente surpresos.
— Bom dia, Senhor.
Após o espanto inicial, aproximaram-se para cumprimentá-lo.
O forte cheiro de tabaco no ar fez com que os nervos de todos ficassem à flor da pele.
Certamente o patrão estava enfrentando um problema grave e insolúvel para estar fumando àquela hora da manhã.
Pelo canto dos olhos, notaram que o cinzeiro estava cheio de bitucas.
Ele não havia acordado cedo; provavelmente, passara a noite em claro.
Francisco não respondeu aos cumprimentos dos funcionários.
Sem resposta, todos foram fazer suas tarefas diárias em silêncio.
A rotina de trabalho era sempre a mesma.
Os empregados de Francisco tinham funções extremamente específicas. Cada um sabia exatamente o que fazer todos os dias. Uma vez terminado o serviço, podiam ir embora, ou, se preferissem, podiam ficar e ajudar os colegas.
Recebiam um salário mensal fixo; independentemente de quantas horas trabalhassem por dia, os rendimentos não mudavam.
Portanto, após concluírem suas obrigações, tinham liberdade para organizar o próprio tempo como quisessem.
A governanta, Juliana, costumava fazer vista grossa e não interferia muito na dinâmica deles.
— O dia já clareou.
Francisco murmurou após um longo período de silêncio.
Uma arrumadeira que limpava os móveis respondeu: — Sim, Senhor, já amanheceu, mas ainda é bem cedo.
No verão da Cidade A, o céu começava a clarear logo depois das cinco e meia da manhã, e pouco depois das seis, o sol já brilhava forte.

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