— A Senhorita Nunes já é uma deusa por natureza.
Juliana evitava chamá-la de senhora na sua frente, pois sabia que Daniela não gostava.
Daniela sorriu:
— Eu só tenho um pouquinho de charme. Juliana, Francisco está esperando lá fora?
Se ele não estivesse ali, Juliana não teria ido interrompê-la.
A governanta agora recebia o salário pago por ela e trabalhava sob suas ordens, mas seu coração continuava leal a Francisco.
Daniela não a culpava por isso.
Juliana praticamente vira Francisco crescer. Quando ele comprou sua própria casa e saiu da mansão da família, ela o acompanhou como governanta. Era de uma lealdade inabalável, sendo perfeitamente natural que tomasse o partido dele.
Na vida passada, Juliana não tivera o menor respeito por ela como patroa, e Daniela até a temia, tudo porque Francisco a tratava com indiferença.
Bastava que Francisco tivesse mostrado um pouco de respeito por ela, e Juliana, assim como os demais empregados, jamais ousaria destratá-la.
A vida que levara na encarnação anterior fora deprimente demais; até os funcionários se sentiam no direito de menosprezá-la.
— O senhor disse que também vai ao banquete e, como é caminho, pensou em esperar a senhorita para saírem juntos.
Daniela permaneceu em silêncio.
Juliana espiou sua expressão e, no fim das contas, preferiu não interceder a favor de Francisco.
Momentos depois, Daniela pegou a bolsa e virou-se para a governanta:
— Juliana, estou saindo. Pode ser que eu volte tarde. Deixe a porta encostada para mim, não precisa ficar acordada esperando.
— Não se preocupe. Como eu moro aqui agora, posso me levantar para atendê-la a qualquer hora. Apenas tente não beber demais. E se o senhor estiver bebendo muito, peço que a senhorita também tente controlá-lo um pouco.
Daniela respondeu enquanto caminhava em direção à saída:
— Isso é problema dele. Não tenho autoridade nem motivo para me meter.
Francisco deu meia-volta e correu até o seu carro, onde o motorista já aguardava com a porta aberta.
Em instantes, vários veículos partiram em comboio. Juliana acompanhou o carro do patrão com os olhos até que sumisse de vista, só então retornando para dentro de casa.
Enquanto isso, no Hotel Global, um dos estabelecimentos mais luxuosos de Cidade A, na suíte presidencial do último andar, um homem na casa dos trinta e poucos anos também vestia um terno. Ele tinha feições atraentes e, embora não fosse tão deslumbrante quanto Francisco, ainda era o tipo de homem que prendia a atenção de qualquer um.
O único detalhe era que sua beleza carregava uma certa delicadeza andrógina, e sua expressão transmitia uma aura constantemente sombria e calculista.
Após ajeitar a gravata no espelho, ergueu o pulso esquerdo para verificar as horas no relógio. Imediatamente, virou-se e caminhou em direção à porta do quarto.
Vários guarda-costas vestidos de preto aguardavam do lado de fora. Ao vê-lo sair, cumprimentaram-no com deferência:
— Chefe.
O homem não respondeu, apenas seguiu rumo aos elevadores.
Daniela, Francisco, estou chegando.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor! Me Deixa Explicar!