Ser chefe era muito cansativo. Toda a sobrevivência da empresa dependia dela.
Não ousava relaxar de jeito nenhum, temia que os negócios fossem mal e não ganhasse dinheiro suficiente para sustentar os funcionários que a acompanhavam nessa jornada.
Ela foi se servir de um copo de água morna, tomou dois goles e saiu do escritório segurando o copo.
— Senhora Daniela.
Zenaide, vendo-a sair, cumprimentou-a.
Daniela foi até a mesa dela, conferiu o que estava fazendo e perguntou:
— O meu avô e a minha avó ainda estão esperando na porta da empresa?
Zenaide respondeu:
— Não sei, preciso perguntar para a segurança. Senhora Daniela, espere um instante, vou verificar.
Enquanto falava, Zenaide logo ligou pelo ramal para a segurança e em seguida desligou o telefone, dizendo para Daniela:
— Eles ainda estão lá esperando, com toda a pinta de quem não vai embora até ver você.
— Senhora Daniela, quer que alguém os expulse?
— Não. Eles já têm idade avançada, com as pernas e braços velhos. Se alguém for expulsá-los e der um toque neles, eles podem se jogar no chão, dizer que nós os empurramos e teremos problemas. Se querem esperar, deixe-os.
— Está tão quente, não acredito que consigam ficar sentados o dia todo.
Depois de falar, Daniela voltou ao escritório, caminhou até a janela e olhou para baixo. Era possível ver duas pessoas agachadas do lado de fora da guarita do segurança. Nem precisava perguntar, sabia que eram o seu avô e a sua avó.
Daniela olhou enquanto bebia água, sem sentir a menor pena.
Naquele momento, um carro se aproximou e logo parou em frente à empresa. Daniela viu uma mulher descer do veículo.
Por causa da distância, Daniela não conseguiu ver o rosto da pessoa de forma nítida, mas a silhueta lhe era muito familiar. Era Cíntia Veloso.

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