Zenobia não percebeu absolutamente nada.
Ela sempre foi insensível em questões de sentimentos.
Por outro lado, Daiane percebeu que havia algo errado. Ela cutucou Zenobia com o cotovelo e disse: “Zenobia, por que você só serve comida para mim? Meu prato já está cheio, sirva um pouco para o Sr. Paixão também.”
Zenobia levantou o olhar para Gildo, um pouco constrangida.
Ela não sabia exatamente quais pratos Gildo gostava, então falou timidamente: “Gildo, coma mais um pouco.”
Daiane quase tossiu de tanta frustração.
Naquele momento, ela sentiu que quanto mais comida havia em seu prato, maior era a pressão sobre ela.
Ela só podia comer rapidamente.
Porém, quanto mais rápido ela comia, mais rápido Zenobia servia.
Daiane quase se engasgou.
Com apenas um olhar, Zenobia entendeu e rapidamente serviu chá para Daiane.
Enquanto entregava a xícara, ela ainda conversava casualmente: “Mana, como pode uma pessoa tão estranha cruzar seu caminho? Em pleno século XXI ainda tem tarado indo ao banheiro feminino!”
Daiane lançou um olhar ressentido para Zenobia, sentindo que até Gildo, sentado à sua frente, estava exalando ciúmes.
Ela já nem achava estranho alguém se esconder no banheiro feminino para tirar fotos; achava a própria prima estranha.
Poxa vida.
Não conseguia perceber sinais tão óbvios?
Talvez Gildo tenha percebido o desconforto de Daiane. Ele reprimiu o sentimento de amargura e disse calmamente: “Prima, coma devagar, está tudo bem.”
Mas Daiane sentiu aquilo como um aviso do grande chefe.
Imediatamente, ela largou os hashis. “Zenobia, já estou satisfeita, não precisa mais me servir, sirva para o Sr. Paixão.”
Daiane soltou o braço de Zenobia: “Eu adoro ficar sozinha no hotel, é muito confortável assim. Com você lá, eu não teria espaço.”
“Tudo bem.”
Zenobia suspirou, um pouco contrariada, mas acabou aceitando o fato de que não poderia dividir o quarto de hotel com Daiane.
Após o jantar, o céu de Rio Dourado já estava completamente escuro.
Zenobia quis levar Daiane até o hotel, mas Daiane recusou prontamente: “Não tem um motorista em casa? Ele pode me levar. Sua direção não é boa, não me sinto confortável em seu carro.”
Zenobia até quis insistir, mas, como a prima disse que sua direção não era boa e não era confortável, ela acabou desistindo.
Na verdade, só Gildo sabia que Daiane não achava a direção de Zenobia ruim, ela apenas não queria tomar muito do tempo da prima.
Gildo ficou ao lado de Zenobia na porta para se despedir, até que o carro levando Daiane sumiu de vista.
Só então ele perguntou calmamente: “Sua prima encontrou um pervertido no aeroporto. E você? Está tudo bem?”

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