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Amor Tardio: O Mais Barato dos Pecados romance Capítulo 792

Quando Genival terminou de falar, o brilho fragmentado nos olhos de Clara esmoreceu um pouco, e ela até sentiu um nó súbito na garganta.

Ela não sabia descrever o que sentia naquele momento. Parecia que nada estava realmente errado, mas, ao mesmo tempo, tudo a feria silenciosamente, com uma delicadeza que machucava o peito.

Ela jamais imaginara que Genival falaria com tanta tranquilidade aquelas duas palavras: "Perdeu".

Como se aquilo não tivesse a menor importância.

Ele sempre soubera o quanto ela lutara para conseguir aquilo de volta para ele.

Naquela época, Genival ainda a olhava com um misto de complexidade e resignação, afagando o topo de sua cabeça: "Você é boba? De que isso adiantaria? Só está se colocando nessa situação por nada?"

Naquele tempo, ela se sentia feliz com aquilo, e ainda respondia, orgulhosa: "É a minha intenção, meu sentimento está aqui. O Senhor vai perceber e vai proteger você, vai te manter seguro."

Ela ainda se lembrava de que, naquela época, havia uma suavidade no olhar de Genival quando a fitava.

Mesmo que ele não fosse alguém hábil em expressar emoções ou sentimentos, naquele instante ela sentira um pouco de algo diferente.

Mas agora, o amuleto de proteção dela já não existia mais.

Clara ficou olhando para o novo chaveiro de coelhinho pendurado ali. Passou tanto tempo assim que, quando Genival já achava que o assunto estava encerrado, ela perguntou:

"Pode tirar isso? Eu não gosto muito desse chaveiro, acho que não combina com você."

Obviamente.

Ela nem sequer perguntou quem havia colocado aquele chaveiro de coelhinho ali.

Ela sabia a resposta, mas escolheu não questionar.

Limitou-se a expressar seu próprio desejo.

Genival já havia ligado o carro e, de relance, olhou para o coelhinho lilás. "Está te incomodando tanto assim?"

Ele devolveu a pergunta.

Sem demonstrar nenhuma emoção evidente.

No entanto, Clara percebeu que, ao perguntar aquilo, era porque ele não queria tirar.

Ela sabia perfeitamente que talvez estivesse exagerando, sendo paranoica e desconfiada demais, talvez até… fazendo tempestade em copo d’água?

Afinal, todos sabiam que Genival e Sheila eram apenas irmãos; parecia que a irracional era ela.

Mas, ainda assim, sentia-se inexplicavelmente triste.

Porém…

Chegaram a um restaurante.

Um lugar difícil de conseguir reserva, mas ele pedira a alguém do clube para reservar quando saiu de lá.

Afinal, já que era para comemorar um aniversário, precisava planejar algo especial.

O carro parou no estacionamento.

Clara foi a primeira a sair.

Ela ergueu os olhos para o restaurante à sua frente. Gostava muito daquele lugar e, de repente, seu humor melhorou um pouco.

Pensou que precisava parar de se preocupar tanto, para quê sofrer por antecipação?

Quase virou-se para Genival, pronta para dizer o que gostaria de comer.

Mas o viu ainda sentado no banco do motorista, atendendo uma ligação.

Não sabia o que diziam do outro lado, mas Genival franziu o cenho: "É grave? Bateu a perna?"

O interlocutor respondeu algo.

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