Era tarde da noite.
Clara Rocha rolava na cama, sem conseguir sentir um pingo de sono.
Ela tinha imaginado o que poderia acontecer, mas definitivamente não esperava que dormissem separados.
Antigamente, quando ela e João Cavalcanti estavam juntos, aquele homem não perdia nenhuma oportunidade.
Agora, ele estava contido.
Será que ele tinha mudado mesmo, ou será que ela tinha perdido o encanto?
A ideia de "não ter mais encanto" feriu o orgulho de Clara Rocha.
Afinal, ela já estava chegando aos trinta anos!
Clara Rocha afastou o cobertor, desceu da cama e saiu do quarto.
Por coincidência, no exato momento em que ela saiu, João Cavalcanti também saía do quarto de hóspedes.
Os olhares se encontraram, gerando um instante de constrangimento.
O olhar de João Cavalcanti pousou nela.
Ela usava o roupão do hotel, com o decote frouxo e aberto, revelando curvas sutis.
E ela parecia não ter percebido.
O pomo de adão de João Cavalcanti moveu-se quase imperceptivelmente.
Seu olhar aprofundou-se, mas ele logo desviou a vista.
A voz soou neutra:
— Ainda não dormiu?
Clara Rocha assentiu.
— Hum. Você também não, né?
A luz do corredor era fraca.
Os dois ficaram parados ali, e o ar foi preenchido por um silêncio sutil.
Ela, inconscientemente, quis fugir de volta para o quarto, mas seus pés pareciam pregados no chão, incapazes de se mover.
João Cavalcanti também percebeu a atmosfera constrangedora.
Quebrou o silêncio primeiro, caminhando com suas longas pernas em direção a ela.
— Saí para fazer um café.
— Quero um também.
Ele parou na frente dela.
A voz soou mais grave do que antes.
— Perdeu o sono?
Ela respirou fundo, levantou a cabeça para encarar o olhar dele e tentou manter a voz calma.
— É, estranhei a cama. Não consigo dormir.
— É mesmo? — João Cavalcanti semicerrou os olhos, o olhar demorando-se no rosto dela por alguns segundos. — Pensei que não conseguisse dormir por não ter a mim ao seu lado.
— E você?
João Cavalcanti soltou um riso leve.
A risada foi grave e agradável aos ouvidos.
— Eu, com certeza, é por isso.
Ele não negou.
Admitiu abertamente seu desejo por ela.
Antes que Clara Rocha pudesse reagir, ele tirou o casaco que estava sobre seus ombros e envolveu o corpo frágil dela.
— Está frio à noite. Não pegue um resfriado.
Clara Rocha levantou a cabeça, mergulhando naqueles olhos profundos como o mar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Apenas Clara
Affffff, cobram em dólar pra não continuidade?...
Não tem o restante?...