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Apenas Clara romance Capítulo 603

Ivana recuou instintivamente e acabou esbarrando no balcão atrás dela.

O impacto fez com que várias caixas de remédios caíssem sobre a bancada junto com relógios e joias caras.

Ela tomou um susto terrível e rapidamente se virou para arrumar a bagunça.

Ao pegar as caixas de remédios, percebeu que estavam rotuladas com um idioma do Sudeste Asiático que ela não conseguia decifrar.

Ela pegou o celular para tirar uma foto, mas, naquele exato momento, a voz do mordomo Valdeir soou do lado de fora da porta.

Ivana terminou de arrumar tudo apressadamente e tentou sair do closet o mais rápido que pôde.

No entanto, assim que se aproximou da porta principal, ela foi subitamente aberta de fora para dentro.

Sem outra alternativa, ela se viu forçada a se esconder no banheiro.

— Sr. Fernando, a Srta. Ivana realmente disse que veio pegar um livro emprestado agora há pouco, mas não sei para onde ela foi.

— Você pode se retirar agora.

— Sim, senhor.

Ivana colou o ouvido na porta, escutando com extrema cautela.

O seu rosto estava completamente pálido, e as suas duas mãos estavam firmemente entrelaçadas.

Era o seu fim, pois o seu tio havia voltado bem naquela hora, e ela não fazia ideia do que fazer!

— Ivana, não precisa se esconder, eu já vi você.

O corpo de Ivana enrijeceu repentinamente.

Enquanto ela hesitava, a voz do lado de fora soou novamente.

— Se você não sair agora mesmo, eu serei muito menos amigável.

Ela respirou fundo e saiu do banheiro com passos lentos e medrosos.

— Tio... me perdoe, eu não entrei no seu quarto de propósito, foi apenas curiosidade! — gaguejou ela, incapaz de olhar diretamente nos olhos de Fernando Alves.

— O que você viu? — perguntou Fernando Alves, caminhando até ela.

— Eu... eu... — Ivana mordeu o lábio, abaixando a cabeça e fechando os olhos. — Eu prometo que não contarei a ninguém que o meu tio gosta de usar roupas de mulher!

Fernando Alves ficou atônito por um momento.

— Que o que aconteceu hoje nunca mais se repita. — avisou ele, após um longo silêncio, com o tom de voz ligeiramente suavizado.

— Você não vai brigar comigo? — perguntou Ivana, estupefata.

— Por que eu brigaria com você? — Fernando Alves estendeu a mão e bagunçou suavemente o topo da cabeça dela. — Desde que... você não guarde rancor de mim no futuro, isso é o suficiente.

Ivana sentiu uma súbita pontada de culpa.

— Como eu poderia guardar rancor de você, meu tio? Eu jamais faria uma coisa dessas.

Fernando Alves deu um sorriso sutil.

Após permitir que Ivana fosse embora, Fernando Alves caminhou sozinho até o closet.

— Parece que o meu tio está doente e tomando remédios, muitos remédios mesmo.

— Doente? — Clara Rocha franziu a testa, intrigada. — Que tipo de remédios ele está tomando?

— Eu não sei, mas acho que a escrita do rótulo é lá do Sudeste Asiático. — respondeu Ivana, pegando o celular para abrir a foto que havia tirado.

Ela tentou realizar uma pesquisa, mas os resultados mostravam apenas o idioma do país T.

Era impossível para ela decifrar aquele texto.

— Prima, você faz ideia de que tipo de remédio é este? — perguntou Ivana.

Clara Rocha examinou a imagem com profunda atenção.

Ficou evidente que se tratava de um medicamento importado que não era vendido no mercado nacional, e a pesquisa revelou embalagens semelhantes, mas nenhuma idêntica à da foto.

Contudo, deveria haver alguém que soubesse do que se tratava, certo?

Naquela mesma noite, em Bosque das Ondas.

Após enviar a imagem para João Cavalcanti, Clara Rocha sentou-se para aguardar a resposta.

Nesse exato momento, o som de batidas ecoou na porta do quarto, fazendo-a largar o celular e se levantar para atender.

— Irmão, você ainda não foi dormir? — perguntou Clara Rocha ao ver Isaque Alves do outro lado, encostando-se no batente da porta.

— Dona Godoy cometeu suicídio. — revelou ele, finalmente, após assentir com a cabeça e permanecer em silêncio por um longo tempo.

O sorriso de Clara Rocha desapareceu aos poucos, sendo substituído por uma expressão de pura surpresa.

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