Enquanto isso, nos arredores da zona norte, dentro de um pomar particular de mil hectares, havia um casarão antigo de dois andares.
Atrás das janelas em arco, numa sala de estar com decoração italiana, Isaque Alves estava sentado à mesa de jantar. Sua mão esquerda estava algemada à cadeira. Atrás dele, a poucos passos, dois brutamontes montavam guarda.
— O que foi? A comida não está do seu agrado?
Fernando Alves desceu as escadas. Ao notar que a comida estava intocada, deu uma risadinha e ordenou a um dos capangas:
— Tire tudo da mesa e mande o chef fazer de novo. Faça até o senhor Isaque ficar satisfeito.
Quando o segurança fez menção de avançar, Isaque finalmente abriu a boca:
— Não precisa.
Fernando fez um gesto para que os seguranças saíssem e puxou uma cadeira para sentar.
— Eu sabia que você ficaria com pena dos funcionários.
— Não é pena. Forçar alguém a fazer algo que você acha divertido é só um passatempo pra você. Eu simplesmente não tenho interesse nisso. — Isaque respondeu, frio.
— Como assim forçar? Eu paguei. Ele pegou o dinheiro e me serve de livre e espontânea vontade. Não é o normal?
Fernando esticou o braço sobre o encosto da própria cadeira, inclinando-se na direção dele.
— Você comanda o Grupo Alves. Aposto que não tem pena dos subordinados que não batem as metas, certo?
— Você distorce muito bem os fatos.
Ela se endireitou e sorriu.
— Mas não é a mesma lógica?
Isaque moveu o braço esquerdo. A algema bateu na cadeira, fazendo um som metálico.
— Você me sequestra, me prende aqui, mas me serve do bom e do melhor. Seu plano é só me manter em cativeiro?
Ela levantou-se lentamente e foi até o aparador para abrir uma garrafa de vinho.
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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Apenas Clara
Affffff, cobram em dólar pra não continuidade?...
Não tem o restante?...