Após retornar para a residência, Mariana Ramos ainda não conseguia engolir aquela humilhação. O olhar que lançava a Natan Cavalcanti carregava culpa: — Por que você não disse nada agora há pouco? Se estivesse disposto a dizer algumas palavras boas, Cesar Cavalcanti, em nome da sua consideração como irmão, poderia até ter mudado de ideia! Agora veja só, não conseguimos nada!
Natan Cavalcanti sentou-se no sofá, extremamente irritado. Lembrando que a filha ainda estava lá, suavizou o tom: — Paula, volte para o quarto primeiro.
Quando Paula Cavalcanti subiu as escadas, Natan Cavalcanti tirou a gravata e a jogou sobre a mesa, com um semblante descontente: — A mãe mal acabou de falecer e você já está tão apressada querendo ir roubar?
— O que, você está me culpando também? — Mariana Ramos esbravejou. — Quando você deu o remédio para a mãe, não estava esperando por hoje—
Antes de terminar de falar, o som de um tapa ecoou pela sala.
Os passos de Paula Cavalcanti pararam lá no alto. Ela se escondeu em silêncio atrás da pilastra e olhou para baixo.
Mariana Ramos cobriu a bochecha. Já era a segunda vez que ele a agredia.
Ela riu com raiva e virou a cabeça, encarando o rosto vermelho de Natan Cavalcanti: — Mexi na sua ferida? O que, logo depois que ela se foi, você já começou a fingir o papel de filho devotado? Se você for mesmo capaz, vá agora dizer ao seu irmão mais velho como aconteceu o acidente da mãe e da cunhada mais velha!
— Cale a boca! — O peito de Natan Cavalcanti subia e descia bruscamente. Pânico e violência surgiam no fundo de seus olhos. Ele não ousava encarar o rosto descontrolado de Mariana Ramos, nem pensar em quem poderia ter escutado as palavras que ela dissera.
Assim que terminou de dar aquele tapa, ele já havia se arrependido, mas as palavras de Mariana Ramos foram como ferro quente marcado em seu coração, queimando a ponto de deixá-lo inquieto.
Mariana Ramos estava certa. Desde que ele trocou os remédios da mãe e chegou até aquele ponto, já havia perdido o direito de falar sobre qualquer piedade filial.
Mas ele não suportava ser exposto tão abertamente, muito menos que essas conspirações não reveláveis viessem à tona, destruindo seu disfarce atual.
Mariana Ramos pareceu ficar ainda mais calma depois que ele gritou. Limpou o canto da boca com um sorriso sombrio: — Está com medo agora? João Cavalcanti voltou. Agora o poder está nas mãos deles, pai e filho. Você não vai conseguir nada! Você sabe disso melhor do que eu. Para que continuar fingindo toda essa decência?
— Chega. — Natan Cavalcanti respirou fundo, reprimindo todas as suas emoções. — Você não acha que já causou confusão suficiente? Quer que sua filha ouça tudo isso?
Embora estivesse muito zangada, Mariana Ramos também se acalmou um pouco agora.
— A mãe ainda pensava na Paula. Já que o Grupo Cavalcanti tem um lugar para ela, nós de forma alguma podemos arrastá-la para os nossos problemas. Separar a família não é algo ruim. — Natan Cavalcanti sentou-se novamente no sofá e desabotoou as mangas da camisa. — O irmão mais velho pode até não duvidar de nós, mas o João Cavalcanti há muito tempo plantou sementes de desconfiança em relação a nós. Se continuarmos sob a vigilância deles, com esse seu temperamento, até quando você acha que consegue se esconder?


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Apenas Clara
Affffff, cobram em dólar pra não continuidade?...
Não tem o restante?...