— Ah.
Oceana Amaral encarou o pedaço de jaca que ainda tinha nas mãos, hesitando por um momento se devia jogá-lo no lixo. Mas, achando que seria um grande desperdício, empurrou tudo para dentro da boca de uma vez só e respondeu com as bochechas cheias:
— Certo, entendi, Doutor Barros. Da próxima vez eu tomo mais cuidado!
Dessa vez não tinha mais jeito, da próxima ela tomaria cuidado.
Ao ver a atitude da paciente, Francisco Barros sentiu uma inevitável sensação de impotência.
— Como você está se sentindo hoje? Algum desconforto?
Oceana Amaral pensou seriamente por um segundo e balançou a cabeça de forma solene:
— Acho que não...
Ela sentia que o seu corpo estava se recuperando muito bem ultimamente. Desde as sessões de quimioterapia até aquele momento, ela não havia sofrido com dores de cabeça ou náuseas. Tanto o seu ânimo quanto o estado físico pareciam ótimos.
Ouvindo o relato, Francisco Barros assentiu e se aproximou. Pegou com cuidado a mão onde ela havia feito o novo hemograma e conferiu a função de coagulação.
— Que bom que não há reações adversas. Isso mostra que a sua recuperação está fluindo bem e a doença, que antes estava apenas estável, começa a apresentar sinais de melhora. Mais para a frente, se conseguirmos encontrar um doador de medula óssea compatível, poderemos seguir diretamente para a cirurgia.
Enquanto falava, Francisco Barros fazia anotações detalhadas no prontuário.
As palavras do médico deixaram Oceana Amaral radiante:
— Isso quer dizer que estou cada vez mais perto de ficar curada!
— ...Sim.
Diante da alegria contagiante dela, Francisco Barros caiu num raro e pesado silêncio, preferindo não dizer nada que pudesse estragar o momento.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Após a contagem regressiva da vida, Senhora Nunes acordou!