A comoção no corredor chamou a atenção dos dois dentro do consultório.
Oceana Amaral sempre tivera uma curiosidade nata por confusões. Ao ouvir o alvoroço lá fora, não conseguiu ficar sentada e decidiu sair para ver.
Assim que saiu do consultório, notou uma aglomeração não muito longe à sua esquerda. Devido à distância e à quantidade de pessoas, Oceana Amaral não conseguiu entender exatamente o que estava acontecendo.
Apenas escutou as murmurações das pessoas ao redor:
— Ah, eu conheço aquela garota, é do quarto 1507. Antes, eu via até cuidadores com ela, mas, não sei por que, de repente não conseguiu mais pagar as contas. As enfermeiras estão cobrando há uma semana!
— É mesmo? E quem é aquele homem atrás dela? O namorado?
— Namorado?! Como assim? Eu já vi a garota e o pai dela, a situação financeira deles não parece ser das melhores. Mas aquele cara, só pela roupa, dá para ver que nada no dinheiro. Impossível ser namorado. Vai saber o que eles têm...
— Que irritante. Não sei por que ela está ali agachada chorando no corredor, está atrapalhando a passagem. Ficar se espremendo assim é um saco.
Ouvindo aquilo, Oceana Amaral já havia adivinhado instintivamente do que se tratava. Mesmo assim, não resistiu e se aproximou. Parada na beira da multidão, finalmente pôde ver os dois protagonistas do espetáculo.
Fátima Miranda estava agachada no chão com seu suéter fino e, atrás dela, estava Fabiano Nunes, a quem tinha visto há pouco.
Percebendo que a roda de curiosos só aumentava, e para evitar um escândalo desnecessário, Fabiano Nunes hesitou por um segundo antes de se curvar e pegar a mulher nos braços de uma só vez.
— Ah!
Fátima Miranda soltou um sobressalto ao ser erguida no ar sem nenhum aviso.
Sem nem se importar com as lágrimas que ainda pendiam em seus cílios, ergueu as mãos e instintivamente enlaçou o pescoço do homem.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Após a contagem regressiva da vida, Senhora Nunes acordou!