Passado o Ano Novo, o feriado prolongado marcava o encerramento definitivo das festividades.
Ao terminar a quimioterapia, Oceana Amaral notou que já eram seis da tarde. Ao ligar o celular, percebeu que, durante todo aquele tempo, a mãe não fizera uma única ligação nem mandara mensagem alguma.
Achando aquilo estranho, abriu a lista de contatos e ligou para ela.
— Tu... tu...
Após o longo som de chamada, o telefone desligou sozinho. Só então Oceana Amaral começou a sentir que algo estava errado.
Abriu o Whatsapp e viu que a conversa com a mãe continuava parada no último áudio que recebera à tarde, dizendo "Tá bom, tá bom".
Oceana Amaral saiu às pressas do quarto, sem sequer calçar os sapatos direito. Assim que cruzou a porta, quase esbarrou em Francisco Barros, que estava entrando.
— Desculpe.
— O que houve?
Ao ver o desespero de Oceana Amaral, Francisco Barros franziu o cenho, olhando-a com preocupação.
Ele segurava nas mãos a nova receita de analgésicos que havia prescrito para ela.
— Eu... Doutor Barros, estou um pouco preocupada com a minha mãe.
Oceana Amaral nem conseguia explicar direito a angústia que lhe apertava o peito. Obviamente esperava que tudo não passasse de imaginação sua; talvez a mãe não tivesse atendido porque estava cozinhando na cozinha e deixara o celular carregando no quarto.
Mas...
Ela não disse mais nada e não parou, seguindo a passos largos em direção aos elevadores.
Vendo sua aflição, Francisco Barros a acompanhou por instinto. No instante em que as portas se abriram, entrou no elevador junto com ela.
— Você... você também vai descer?
Oceana Amaral apertou o botão do subsolo.
Francisco Barros fez que sim com a cabeça.
— Você não disse que estava preocupada com a sua mãe? O que aconteceu?
Oceana Amaral hesitou por um segundo, mas decidiu explicar com paciência:

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Após a contagem regressiva da vida, Senhora Nunes acordou!