Com essas provocações, a raiva de Keila foi crescendo dentro de si.
Pois é, por que Soraia ficaria do lado de quem não era da família?
E que direito Dália tinha de tentar manipular Soraia?
O que elas estavam armando?
Mas Keila não era idiota e se acalmou rapidamente.
— Eu sei que vocês querem o meu bem, mas não posso impedir que elas andem juntas.
— Afinal de contas, elas se conhecem há muito mais tempo do que eu.
Vânia estreitou os olhos: — Mas elas não se suportavam antes. Será que estão se juntando para ir contra você?
— Vamos lá ver, não custa nada dar uma olhada.
— Quando você aparecer, elas com certeza vão ficar constrangidas.
— Se elas não se importam com os seus sentimentos, você também não pode deixá-las confortáveis demais.
— Senão vão achar que você é fraca e fácil de humilhar.
Com tudo isso, seria estranho se Keila não fosse até lá.
Por fim, convencida por Vânia, ela concordou.
Na sala ao lado, as três garotas terminaram de cantar uma música e Dália pôde descansar.
Enquanto comia frutas e pescoço de pato sentada no sofá, a porta se abriu de repente.
Era Vânia.
Fazia um bom tempo que não a via.
Aquela garota sabia se aproveitar bem das situações.
— Eu não disse que ouvi a voz da Soraia? Vocês também estão aqui cantando.
Vânia entrou sem ser convidada, segurou a porta e chamou Keila, que estava logo atrás: — Keila, vem logo, Soraia e Dália estão aqui!
— Por que vocês saíram juntas e não chamaram a Keila?
A pergunta, na verdade, não deixou apenas Dália e Soraia desconfortáveis, Keila também devia estar sentindo o peso do constrangimento.
Afinal, elas realmente não a haviam chamado. E vir bater na porta depois de ter sido deixada de fora só faria com que fosse motivo de piada.
O grupo de meninas logo atrás quase tomou as dores por ela.
Mas ela apenas olhou de forma esperançosa para Keila.
Queria que Keila tomasse partido, fosse contra Dália e, de preferência, que começassem uma briga ali mesmo.
E Keila, como esperado, se adiantou.
— Irmã, como você pode falar assim da Vânia? Você a odeia tanto, imagina o quanto ela deve estar magoada.
Keila olhou para Dália com uma reprovação clara, como se ela tivesse cometido um pecado imperdoável.
Dália não caiu naquele teatro de vitimismo.
— Se você fala assim, eu também fico muito triste. — Dália falou sobre sua própria tristeza com um rosto inexpressivo.
— Por acaso não posso mais ter minhas próprias preferências?
Keila engasgou com a resposta.
Não esperava que Dália fosse se defender assim.
O que mais ela poderia responder?

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