Dizer que ela podia ter as próprias opiniões, mas sem ser tão insensível ao ponto de machucar os outros?
Para Dália, não estava ofendendo ninguém.
— Não foi o que eu quis dizer. — Keila logo percebeu que, em dez discussões com Dália, perderia pelo menos oito ou nove.
— Não sei qual é a sua intenção — Dália estava com o rosto sério. — Mas estávamos nos divertindo muito bem aqui. Acredito que uma pessoa com educação não iria incomodar os outros.
Estava tentando expulsá-la?
Keila fechou a cara.
Não esperava que Dália fosse tão rude.
— Apenas ouvimos a voz de vocês e viemos dizer um oi.
Keila deu um passo atrás mais uma vez.
— Já que a irmã não quer nossa presença aqui, nós vamos embora.
Keila acreditava que, falando assim, Dália ficaria envergonhada e pediria que ela ficasse. Mas Dália apenas disse: — Fiquem à vontade.
Keila sentiu uma humilhação enorme e não conseguiu esconder o constrangimento.
Mas não havia nada a ser feito.
Ela foi embora, bufando de raiva.
E ainda tentava disfarçar a frustração para não ser vista por ninguém.
Depois de sair, o clima ficou pesado e Vânia e as outras garotas ficaram até com receio de falar com Keila.
Tendo voltado para a Família Campos já há algum tempo, Keila desenvolvera certa postura de imposição.
Vânia e o grupo trocaram olhares e, depois de ponderarem, decidiram se desculpar: — Foi mal, Keila, se soubéssemos que a Dália ia agir dessa forma, não teríamos deixado você ir.
Os olhos de Keila estavam vermelhos e ela forçou um sorriso: — Está tudo bem, o erro é meu. É compreensível que a irmã me odeie por ter pego a vida feliz que era dela.
— Como assim o erro é seu? Essa vida sempre foi sua! Os últimos dezoito anos foram roubados por ela!

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