— Que pai? Meu pai morreu há muito tempo! Quem você pensa que é para me chamar assim?
Ele se recusava a reconhecê-lo!
Seria estranho se Breno o reconhecesse como pai.
Antes de se casar, Osvaldo tinha uma barraca onde vendia pedras brutas e parecia ser bastante esforçado. No começo, tratava bem a esposa, mas logo após o nascimento do filho, alguém o levou para o mundo das apostas.
Tudo mudou!
Ele passou a beber compulsivamente, agredir verbal e fisicamente sua esposa e o próprio filho.
De um trabalhador dedicado na barraca, ele passou a viver às custas da mulher.
Quando a esposa não tinha dinheiro para bancar as apostas, ele dava escândalos em casa.
Crescendo nesse ambiente, como Breno poderia enxergá-lo como pai?
Aos doze anos, Breno já não aguentava mais e pegou um cutelo na cozinha para forçar o divórcio dos pais.
Ele ameaçou matar Osvaldo enquanto ele dormia bêbado, caso seus pais não se divorciassem.
Aquelas palavras realmente assustaram Osvaldo.
Osvaldo deu uma surra no pirralho e saiu para apostar à noite.
Quando voltou para dormir no dia seguinte, viu de relance o filho afiando a faca.
Osvaldo levou um susto tão grande que perdeu o sono na hora.
A partir daquele dia, ele flagrou o garoto afiando a faca várias vezes e, no fundo, sabia que não era brincadeira.
Se ele não se divorciasse, aquele moleque infeliz acabaria o retalhando!
Sendo assim, Osvaldo cedeu.
Ele concordou com o divórcio, mas exigiu todo o dinheiro da família.
A princípio, ele queria ficar até com a casa, mas o imóvel pertencia à família da esposa; ela bateu o pé e não cedeu.
E o filho ainda ficou por perto, segurando o cutelo e dizendo que, se ele quisesse a casa, colocaria fogo no lugar com Osvaldo lá dentro.
Ao pensar em ser queimado vivo, Osvaldo ficou apavorado.
Ele desistiu de reivindicar a casa, pegou todo o dinheiro da família e fugiu sem olhar para trás.


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