Tatiana simplesmente parou de falar.
Ela pensou consigo mesma que era um bom sinal Lorenzo ir com ela ao hospital.
Afinal, a relação de Lorenzo com a Sra. Nanda não era das melhores, principalmente devido à rigidez excessiva com que foi criado na infância.
Havia muito a aprender, e ele tinha que ser sempre o primeiro em tudo, caso contrário, enfrentaria punições familiares.
Tatiana não conhecia em detalhes os métodos de educação do vovô Jacarias e da Nanda, mas sabia que sempre que quando Lorenzo fazia algo errado ou não atendia às expectativas deles, ele era enviado de volta para a família Garrote, ficando dias sem poder entrar em contato com eles.
Ela conseguia entender essa atitude educacional do ponto de vista da família Borges. O patriarca teve apenas um filho, que morreu jovem, levando a família Borges ao declínio. O idoso, que perdeu a esposa na juventude e o filho na maturidade, depositou todas as suas esperanças em Lorenzo.
A rigidez era para garantir o futuro do Grupo Borges e evitar a ruína da riqueza em três gerações, para que o negócio da família não desaparecesse da Cidade R.
Mas, do ponto de vista de uma criança, Tatiana ainda achava que tal infância era algo que não poderia ser reparado por toda a vida.
Ela mal se lembrava de como Lorenzo sobreviveu a tudo aquilo, sabendo apenas que ele era muito silencioso na infância, mas nunca resistia às ordens dos mais velhos, aceitando tudo obedientemente, seja atingindo o primeiro lugar naturalmente ou sendo ainda mais rigoroso consigo mesmo em silêncio.
Com o passar dos anos, ele se tornou cada vez mais rebelde, e sua relação com a Sra. Nanda chegou a ser extremamente conflituosa.
Especialmente nos primeiros anos após o retorno de Carolina, ele quase não ouvia uma palavra da Sra. Nanda.
Se isso tivesse acontecido há alguns anos, talvez ele desejasse a morte da Sra. Nanda, em vez de relutantemente concordar em ir ao hospital.
Provavelmente foi a morte do vovô Jacarias que o fez amolecer, deixando a Sra. Nanda como sua única parente próxima, e seus cantos afiados foram suavizados pelo evento mais cruel e impiedoso da vida.
A separação e a morte são as coisas mais impotentes e inevitáveis para os humanos.
Por isso, ela não perderia mais tempo com coisas sem resultado, focando sua energia e pensamentos nos entes queridos que se importam com ela.
Em alguns dias, ela provavelmente estaria ao lado de seus pais.
Após enviar uma mensagem a Edu explicando sua ida ao hospital, Tatiana começou a sonhar com sua vida após chegar à Cidade B. Ela planejava estabelecer o Estúdio Dávida na Cidade B, passar os dias pintando e escrevendo, e nos momentos livres, desfrutar a companhia de seus pais e irmãos, os deliciando com suas habilidades culinárias.
“Acabei de me lembrar que preciso comprar presentes para eles, quase esqueci, preciso discutir isso com Edu quando ele chegar. E também tem o aniversário dele...”
Perdida em pensamentos, Tatiana não percebeu que cada uma de suas expressões era observada atentamente por Lorenzo ao seu lado. Após conversar com aquele homem, ela parecia estar tão feliz. Não era de se admirar que ela estivesse tão ansiosa para se distanciar dele. Fico evidente que não era por causa de Carolina, e si em razão de seu novo namorado não gostar.
- Tatiana, minha mãe ainda está em coma no hospital, e você parece tão feliz. Não estou entendendo. - Disse Lorenzo friamente, interrompendo seus pensamentos quando o carro chegou ao hospital.
Tatiana voltou à realidade, encarando os olhos escuros e irados do homem, e pediu desculpas imediatamente.
- Desculpe, eu estava pensando em algo e não consegui me controlar... - Explicou Tatiana.
Lorenzo bufou friamente e saiu do carro sem dar mais atenção a ela. Tatiana, se sentindo culpada, o seguiu timidamente. Ela realmente não deveria ter sorrido ao pensar em voltar para casa em uma situação como essa, era como esfaquear o coração de alguém.
Ao sair do carro, ela viu Lorenzo caminhando em direção ao departamento de internação. Como Thais havia enviado o número do quarto para o seu celular, Tatiana, sem esperar por Pedro, que ainda estava estacionando, correu para alcançar Lorenzo. Felizmente, ele não caminhava rápido, o que permitiu que ela o alcançasse facilmente e caminhasse ao seu lado.
- Lorenzo, desculpe por antes, eu não tive a intenção, por favor, não leve a mal. - Lamentou Tatiana novamente enquanto caminhavam. Era hora do jantar, e o térreo do departamento de internação estava movimentado, com muitas pessoas carregando marmitas e roupas, com expressões preocupadas. Afinal, nascimento, envelhecimento, doença e morte são inevitáveis.
Ela retirou o olhar e, com os lábios apertados, deu uma olhada em Lorenzo.



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Os comentários dos leitores sobre o romance: Após divórcio, ex-marido implora por reconciliação todo dia
Por favor, continuem esse livro!...