POV Amara
Antes que Killian pudesse tirar minha máscara, um instinto desesperado me deu uma saída.
Comecei a tossir de propósito, franzindo a testa forçando uma expressão de desconforto.
— Desculpe, estou… estou gripada! — menti, afastando-me rapidamente, como se a distância pudesse me proteger de sua presença avassaladora.
O olhar dele não se desviou, e eu podia sentir a intensidade de sua atenção como um peso sobre mim. Mesmo odiando-o por tudo o que ele representava, havia algo inegável em sua proximidade que me deixava perturbada. Era como se uma parte de mim quisesse se aproximar, enquanto a outra gritava para que eu fugisse.
— Pinte o cabelo de vermelho, — ele disse, como se estivesse fazendo uma proposta casual. — Seja minha secretária.
A proposta me pegou de surpresa.
— O… o quê?
— Você se encaixaria perfeitamente no meu escritório.
— Você está brincando? — A incredulidade escapou dos meus lábios.
O que ele queria de mim? Era uma armadilha ou uma oferta genuína?
— Você tem algo que eu preciso, e eu posso oferecer algo em troca.
A seriedade em seu olhar me fazendo sentir um frio na barriga.
— Tenho algo que você precisa?
Ele manteve o rosto impassível, e eu ainda não conseguia discernir suas intenções.
— Perca cinquenta quilos em trinta dias. Cabelo vermelho. E pertencerá a mim como minha sombra particular. — Seus olhos escuros percorreram meu corpo como se já me visse transformada. — Cinco vezes o salário de uma secretária executiva.
A ideia de trabalhar para ele, de estar tão perto todos os dias novamente, me deixou em conflito. A raiva e a atração se entrelaçavam, criando um nó em meu estômago. Trabalhar para meu ex-marido que não me conhecia…
— Não, eu recuso.
— Dez vezes o salário.
— Isso não é uma questão de dinheiro...
— O tornozelo da minha noiva está gravemente torcido, isso sim é uma questão de dinheiro. Mas ela não vai exigir indenização da minha secretária.
Uma ameaça? Ele ousa me ameaçar… Não tenho como pagar por aquele tornozelo feito de ouro! Eu já sabia, eu não deveria ter voltado esta manhã. Ele mais uma vez me encurralou em um beco sem saída.
— Eu… aceito — murmurei.
Killian bateu com os dedos no contrato sobre a mesa.
Ele já tinha tudo preparado, tudo isso estava dentro das expectativas dele.
Quando li uma das cláusulas, meu rosto ficou vermelho, — “Se necessário, tornar-se parceira sexual do chefe...” Jamais! Você... você não tem uma noiva? Nunca pensei que fosse esse tipo de homem!
A expressão fria no rosto dele parecia rachar como uma fissura. Pegou o contrato, leu a parte em questão e resmungou — Maldição. — pegou o telefone — Leo, entre aqui agora!
Leo entrou, sentindo de imediato a tensão no ar. Curvou-se em desculpas — Perdão, senhor, foi um engano da minha parte…
Logo começou a redigir e imprimir um novo contrato, desta vez mais cauteloso, — Senhor, quanto às permissões de acesso às informações dela...
— Não importa, dê todas.
De repente, como um estalo, tive um pensamento.
Talvez ser secretária de Killian não fosse uma coisa tão ruim assim. Aquele acesso privilegiado me levaria aos arquivos sigilosos da empresa “Amallian Joias”. Eu poderia usar esses recursos para vingar o meu pai, assim como Killian fez comigo e com a empresa do meu pai nos últimos três anos…
Distraída, quando assinei acabei escrevendo uma letra A maiúscula.
Senti o olhar de Killian, tremendo, e completei com um K maiúsculo na frente.
— Acho que não é estranho assinar tudo em letras maiúsculas.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Após o divórcio, me tornei amante secreta do ex-marido