POV Amara
O segundo dia de trabalho não foi diferente do primeiro.
Exceto…
— Oi, K… Amara. — Quando encontrei Leo no elevador, ele me cumprimentou de forma constrangida.
Olhei para o crachá no meu peito, onde estava escrito o nome que eu usava como secretária. Mas, na empresa ninguém sabia que esse era justamente o meu verdadeiro nome.
Perguntei — Leo, você sabe por quê ele quer mudar meu nome?
Leo fez um gesto de silêncio, — Esse nome é um tabu. Não pergunte ao chefe. Ele diz como você deve se chamar, e é assim que você se chama.
Graças a eu ainda estar usando máscara, nenhum colega veio falar comigo. Passei boa parte da manhã sentada em minha mesa, esperando alguma função ou ordem de Killian, mas parece que ele não estava muito interessado em me designar a algo.
Eu até abri um jogo no computador de propósito quando ele passou, mas ele permaneceu indiferente.
Enquanto lia e pesquisava mais sobre a empresa, me vi pensando sobre o nome ao qual Killian quer que eu seja chamada na empresa. Por quê Amara? Sempre pensei que meu nome fosse um passado escandaloso para ele. Será que ele queria me tratar como saco de pancadas? Mas ele não me dava nenhuma dificuldade?
Tentei organizar meus pensamentos acerca disso, e vi a porta dele ser aberta, mais uma vez. Ele caminhou em minha direção, mais uma vez.
Levantei a cabeça e vi os olhos azuis-gelo, frio e penetrante, quase translúcidos me encarando.
Temos telefone interno, mas eu não sabia por que ele não o usava e precisava vir até aqui para me dar ordens.
— Amara, você irá me acompanhar na reunião que terei em trinta minutos com um investidor. Ele é muito importante. Não fale nada, apenas se sente ao meu lado. — a voz fria e sem espaço para questionamentos.
— Então de que adianta eu apenas sentar aqui? Para ser seu vaso caro?
— Exatamente. O vaso caro que eu comprei. E, lembro que no contrato diz “obedecer às ordens sem questionar”.
— Mas eu sou feia.
— Então faça-se bonita. Menos 50 kg, lembra? Pelo seu almoço ontem, parece que você não está levando a dieta a sério.
Seus olhos desceram lentamente pelo meu corpo, percorrendo cada detalhe como se fosse um raio-X. Permaneceram ali, vagarosos, como se pesassem cada traço, cada curva.
Apertei os lábios, tentando esconder a frustração.... Eu estava grávida e trabalhando em dois empregos. Meu corpo me obrigava a comer bastante.
Só depois de longos segundos seus olhos voltaram ao meu rosto.
— E tire a máscara. Você não pode aparecer assim para o investidor.
— Mas senhor, estou gripada e… — O ar se tornou mais denso, e eu sabia que ele não acreditava em uma única palavra.
— Para de fingir, você não tinha tossido nem espirrado ontem. Nem uma vez.
O mundo pareceu parar.
Fiquei congelada, mas o sangue fugiu das minhas veias como se estivesse em queda livre.
De repente, ele estendeu a mão. Eu me atrasei um passo e não consegui defender.
Foi tirada, minha máscara…
Finalmente entrei em contato com o ar fresco, mas eu não conseguia respirar.
Ele com certeza me reconheceu… com certeza… Eu preciso fugir agora, agora mesmo, mas minhas pernas estão presas no chão, sem me obedecer.
Seus olhos se fixaram diretamente no meu rosto, enquanto suas sobrancelhas se franziram. Sinto a cicatriz no canto do meu olho arder, como se queimasse por dentro.
Eu realmente queria que o chão de repente se abrisse e me engolisse.
— Amara… — seus lábios se moveram.
À tarde, eu vi Beatriz saindo do elevador do andar executivo e imaginei que aquela reunião teatral já tinha se espalhado por todo mundo.
A presença de Beatriz era como uma tempestade prestes a se desatar, e eu sabia que ela não estava aqui para fazer visitas sociais. O olhar dela, encontrou Killian imediatamente, e eu pude sentir a tensão no ar.
— O que você estava pensando, Killian? — ela disparou, a voz carregada de indignação. — Você brigou com o senhor Wilson por causa de uma secretária! Ele é um dos maiores acionistas da empresa do meu pai, sabe quanto vamos perder com isso?
Ela olhou para mim — Você… merda! A faxineira daquele dia! Killian!!! Como você pode permitir que essa… essa mulher se torne sua secretária particular? É inaceitável!
Killian levantou os olhos para ela, e a expressão em seu rosto era de pura frieza. Ele não se deixou intimidar pela explosão de Beatriz.
— Isso não é da sua conta — ele respondeu, a voz firme e sem espaço para discussão.
A resposta a deixou ainda mais irritada. Beatriz, com o rosto vermelho de raiva, olhou para mim como se eu fosse a responsável por toda a situação. Eu podia sentir o peso de seu desprezo, e a humilhação que ela estava prestes a me infligir era quase palpável.
— Você não tem ideia do que está fazendo, Killian! — ela continuou, ignorando a resposta dele. — Essa mulher não pertence a este mundo. Ela é só uma faxineira, provavelmente nem terminou o ensino médio, não sabe fazer nada! Minhas melhores amigas dizem que a nova secretária não faz nada o dia todo!
A cada palavra, eu sentia a raiva crescer dentro de mim.
— Sra. Argento, é o seu noivo quem não me dá tarefas, não é… — Tentei me defender, mas ela me interrompeu.
— Amara, você também se chama Amara… e ainda tem a ousadia de aparecer na frente do meu noivo com esse nome? Você nem sabe ler as palavras das notícias! — Beatriz se virou para mim, um sorriso sarcástico nos lábios. Ela parece entender que minha existência serve apenas para Killian descontar sua raiva, para vingar. — Já que você não tem tarefas reais, que tal me acompanhar às compras? Afinal, a escrava do meu noivo… é minha escrava!
A humilhação me atingiu como um soco no estômago.
Eu queria responder, queria gritar que não era uma escrava, mas a presença de Killian me impediu. Beatriz tem o noivo ao seu lado, e eu só tenho a mim mesma.
Killian estava ali, em silêncio, aceitando tacitamente o comportamento de Beatriz. O que isso significava para mim? Eu me sentia presa entre a raiva e a impotência.
— Tudo bem, senhora Argento. — respondi, tentando manter a calma, embora a raiva fervesse dentro de mim. A ironia em minha voz não passou despercebida, mas Beatriz parecia satisfeita com a sua vitória momentânea.
Ela saiu do escritório orgulhosamente de salto alto, como se estivesse pisando no meu rosto.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Após o divórcio, me tornei amante secreta do ex-marido