Vários olhares se voltaram para Cecília. Alguns de pena, outros de quem queria ver o espetáculo.
O que a surpreendeu foi que Ariane apenas a olhou, sem o habitual ar de superioridade de quem comemora a desgraça alheia.
A janela da sala de reuniões era parcialmente fosca, bastava um olhar para ver Tânia e Sandra sentadas lá dentro. As duas estavam muito próximas, conversando enquanto olhavam para fora.
Tinham ido com força total.
Sem conseguir escapar, o coração de Cecília deu duas batidas erradas. Ela virou e caminhou em direção à sala de reuniões.
Assim que abriu a porta, dois olhares afiados como lâminas pousaram em seu rosto.
— Sra. Tânia, Sra. Sandra. — Cecília fechou a porta e inclinou a cabeça em cumprimento. — As duas querem falar comigo?
— Você não sabe por que estamos aqui? — Tânia soltou um sorriso frio.
— Não sei. — Cecília balançou a cabeça.
Era a primeira vez que Sandra enfrentava Cecília diretamente. Ela a examinou de cima a baixo.
— Ontem, na festa de noivado, você empurrou minha filha de propósito. Achou que não descobriríamos?
— A senhora tem provas? — Cecília perguntou, calma.
— Precisa de provas para isso? — Sandra respondeu com firmeza. — Tantas pessoas viram!
Com apenas uma ordem dela, todos os convidados da festa testemunhariam dizendo que "viram".
A mão de Cecília, pendendo ao lado do corpo, se fechou de repente. Como esperado, elas estavam colocando toda a culpa nela.
Ela quis pedir demissão rapidamente, justamente para sair antes que elas agissem. No entanto, não imaginou que viriam tão depressa.

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