— De jeito nenhum! — A mudança repentina de assunto fez Cecília demorar um instante para reagir. Ao ouvir a palavra "tia", ela teve uma reação quase instintiva e levantou-se num salto. — Eu sei que a senhora quer o meu bem, mas isso causaria um caos.
— Está bem, está bem. Então que seja minha neta adotiva. — Judite viu a resistência dela e entendeu que aquela ideia absurda não poderia ser colocada em prática.
Flávia forçou um sorriso. Embora tivesse aceitado aquele plano maluco, era óbvio que seria melhor se não fosse tão maluco assim.
— Então eu vou te chamar de irmã. Você vai ser irmã do meu irmão.
Os olhos turvos de Judite se estreitaram. No fundo, ela já começava a planejar seu próximo passo: visitar a família Siqueira (da parte de Murilo) para conversar sobre o relacionamento dele com Cecília.
Sendo avó adotiva de Cecília, ela poderia defendê-la abertamente.
Flávia percebeu a intenção e discretamente levantou o polegar para ela.
Enquanto isso, Cecília e Heitor ficaram parados, com os semblantes rígidos, olhando um para o outro sem querer.
Irmão? Irmã?
Eles, que já foram marido e mulher perante a lei, agora se tornariam irmãos. E ela ainda carregava o filho de Heitor no ventre. Tudo ficava ainda mais caótico.
— Isso também está fora de questão! — Cecília recusou sem hesitar. — Sra. Judite, não precisa se preocupar. Eu já entreguei a minha carta de demissão. Assim que eu sair do Grupo Prospera, todos os problemas estarão resolvidos.
Assim que ela se afastasse de Heitor, a família Borba e Tânia não a veriam mais como uma ameaça. E ninguém descobriria sua gravidez.
— Ser minha neta não impede você de pedir demissão. — Disse Judite. Ela não pretendia deixá-la continuar sendo explorada. Ainda mais agora, que já não era secretária, mas funcionária da logística.
O entusiasmo e a determinação de Judite deixavam Cecília ainda mais pressionada.
— Se ela vai ou não se demitir, não é a senhora quem decide. — Heitor disse, com o rosto fechado e o tom frio. — Se não tem mais nada a dizer, pode voltar para casa.
Ele não mencionou a ideia de torná-la neta adotiva. Não era uma concordância tácita, mas sim uma rejeição absoluta àquela ideia absurda. Tão absoluta que ele nem queria tocar no assunto.

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