Os passos de Cecília pararam. Instintivamente, ela se encostou na parte mais escondida da parede.
No estacionamento escuro, mãe e filho estavam ao lado do Maybach. A porta do carro estava meio aberta, parecia que Heitor estava prestes a entrar quando Tânia o impediu.
Ele estava do lado de dentro da porta, com o pulso apoiado no batente da porta, de costas para Cecília.
Ela não conseguia ver sua expressão, apenas ouvir sua voz baixa e profunda.
— Você não acha que ela é um estorvo? Então, por que não se livra logo dela?
Tânia encarou Heitor por um longo tempo, mas não conseguiu ler nada naquele rosto impecável e frio. Ainda assim, não ficou tranquila.
— A Nicole realmente é mimada, e eu compartilho parte da culpa. Eu não posso te ajudar nos negócios, mas ela ao menos tem uma origem muito melhor que a Cecília. Você... não pode decepcioná-la!
— Não vou. — Depois de um silêncio, Heitor soltou duas palavras.
Duas palavras curtas, mas que caíram sobre o coração de Cecília como um peso esmagador, roubando metade de sua respiração. Ela prendeu o ar, encostando-se ainda mais na parede gelada, segurando o documento com força.
Logo depois, o som do motor do carro ecoou.
Cecília levantou o olhar e viu Tânia entrar no veículo e partir. Heitor ainda estava na mesma posição, com uma perna no apoio para os pés.
Cecília respirou fundo, ajustou o semblante e caminhou para fora.
— Sr. Heitor, o assistente Leandro me pediu para te entregar esse documento.
Heitor virou o rosto e encontrou a mão dela estendida.
Seus dedos longos e limpos pareciam ainda mais brancos sob o contraste do papel. As pontas dos dedos que seguravam o documento estavam sem cor, e a parte do documento que ela segurava estava toda amassada.
A sobrancelha de Heitor se franziu. Ele pegou o documento e a observou por dois segundos.

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