Meia hora depois, no Hospital Geral de Belnorte. Cecília desceu do táxi e caminhou rapidamente em direção ao setor de internação.
No terceiro andar, ela empurrou a porta da enfermaria, mas, antes que pudesse ver claramente o quarto, alguém a segurou pela mão e a puxou para fora.
Edna a levou até um corredor isolado, num canto sem saída. Antes que Cecília pudesse reagir, Edna já estava chorando.
— Como está a Juju? — Ao vê-la chorar, o coração de Cecília ficou em desespero.
— O médico suspeita que ela esteja com leucemia! — Edna soluçava. — Eu achava que ela poderia seguir os seus passos... mas quem diria...
— Não chore ainda. O resultado final do exame ainda não saiu. Vai ficar tudo bem! — Cecília tentou confortá-la, e também a si mesma.
Ela via muito de si mesma naquela menina. Juju era quieta, esforçada, estudiosa. Não era só a história de vida que a comovia, a maturidade e sensatez de Juju também partiam o seu coração.
— Eu também espero que não seja nada. A Juju ainda não sabe. Por favor, não conte a ela! — Edna enxugou as lágrimas, tentando se controlar. — A Manuela está com ela no quarto. Vamos lá ver.
Cecília respirou fundo, recompôs a expressão e voltou com Edna para o quarto.
Era um quarto duplo. Na cama ao lado, uma mulher de cerca de cinquenta anos, doente, deixava o ambiente pesado.
Juju estava deitada na maca, seu rostinho estava pálido e com ar de doente.
— Ceci. — Ela sorriu ao vê-la, levantando a mão fina e branca.
— Juju, querida, o que você quer comer? Eu vou comprar para você. — Cecília sentou ao lado dela e segurou sua mão com delicadeza.
— Não precisa. — Juju balançou a cabeça. — A Dona Edna comprou pão recheado para mim.
A menina era alta e magra, o cabelo levemente amarelado, e os olhos negros tinham uma bondade e pureza cristalina.
— E no almoço, o que você quer? — Cecília a observou, com a testa se franzindo involuntariamente.
— É só esquentar esses pães. — Juju apontou para dois pães que sobraram na mesa.

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