"É que estarei ocupada..."
"A senhora sempre tem as melhores ideias. Então agradeço desde já."
As palavras que Cecília tinha dito ao telefone naquela manhã ecoaram novamente na mente de Heitor. A caneta em sua mão rachou sob a pressão de seus dedos.
Após alguns instantes, ele respirou fundo e sua expressão gradualmente voltou à calma.
— O que você acha disso, secretária Cecília?
O que ela achava? Sua mente estava completamente em branco. A indicação tinha surgido de forma tão repentina que ela não teve qualquer preparo. Foi pega totalmente de surpresa.
Ao perceber o descontentamento do homem, seu primeiro impulso foi recusar.
As palavras de recusa já haviam chegado à ponta da língua, mas ela parou.
O projeto governamental levaria de seis meses a um ano para ser concluído. Se ela assumisse aquela responsabilidade, poderia finalmente ficar longe dos olhos de Heitor.
Sob a pressão constante e sufocante que emanava dele, Cecília reuniu forças para responder:
— Já que os diretores depositam tanta confiança em mim, farei o possível para corresponder às expectativas.
— Muito bem, muito bem. — Heitor assentiu lentamente.
Os dois "muito bem" fizeram a atmosfera da sala congelar instantaneamente.
Ele pressionou a língua contra a parte interna da bochecha. Embora sua expressão parecesse mais tranquila, a sensação de perigo tornava-se ainda mais intensa.
— Não é à toa que você demonstrou tanto interesse na formação da equipe. Então já tinha planos para isso. — Após uma breve pausa, virou-se ligeiramente para encará-la. — Nesse caso, você será a responsável por coordenar as ações com Murilo.
Ele disse Murilo, e não Grupo Horizonte. Naquele instante, Cecília entendeu o significado oculto da frase "já tinha planos para isso". No entanto, ela não ofereceu nenhuma explicação. Se Heitor havia interpretado errado ou não, já não importava.
Dez minutos depois, a reunião chegou ao fim.
Cecília havia deixado de ser uma simples secretária para se tornar a responsável pelo projeto governamental. Seu escritório foi transferido do último andar para o décimo sétimo. Exatamente um andar abaixo do escritório de Heitor.
Aquela sala havia sido um escritório de reserva dele. Ele havia trabalhado ali por seis meses enquanto o escritório do último andar passava por reformas. Coincidentemente, isso aconteceu durante os dois anos em que ela foi sua esposa.
Cecília lembrava-se perfeitamente daquele lugar, por que, naquele escritório, Heitor havia perdido o controle uma vez. Além da mansão dele, havia sido um dos poucos lugares onde os dois tiveram momentos íntimos fora de casa.

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