Heitor permaneceu em silêncio.
Depois de um longo momento, Nicole fungou e virou a cabeça para olhá-lo.
— Heitor, você quase não comeu agora há pouco. Que tal eu te acompanhar para comer mais um pouco? Afinal, você ainda precisa trabalhar.
— Não. — Heitor balançou a cabeça devagar. — Estou sem apetite.
— A culpa é minha. Estraguei seu humor. — Nicole pressionou os lábios, incapaz de esconder a culpa em seu rosto.
A atmosfera já pesada tornou-se ainda mais sufocante.
Heitor franziu as sobrancelhas e seus olhos ficaram mais profundos, embora seu tom de voz parecesse deliberadamente descontraído.
— Quando será sua próxima consulta de acompanhamento da perna? Eu vou com você.
— Hum. — Acompanhando a mudança de assunto, Nicole respondeu. — Daqui a alguns dias. Eu ligo para você quando chegar a hora.
— Então eu te levo para casa. — Heitor ligou o carro e acelerou.
O veículo seguiu lentamente em direção à residência da família Borba.
Pouco depois, chegaram. Heitor tirou Nicole do carro nos braços e a acomodou na cadeira de rodas.
— Vou te acompanhar até você entrar.
— Não precisa. Eu consigo sozinha. — Ela forçou um sorriso. — Você ainda vai trabalhar. Volte logo para a empresa.
Ao pensar que Heitor havia pedido para Cecília ir ao seu escritório, o coração de Nicole ficou pesado. Mas, com sua mobilidade reduzida, ela não podia ir todos os dias ao Grupo Prospera.
Heitor não insistiu, virou-se e voltou para o carro. Assim que ligou o motor, alguém bateu na janela.
Era Nicole.
Ele não teve escolha senão abaixar o vidro.
Com a janela meio aberta, o perfil de Heitor parecia ainda mais definido. Elegante, refinado e distante, uma visão que fazia o coração de Nicole disparar sempre que ela o via.

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