— Saia da frente. — Os lábios finos de Heitor se abriram, e duas palavras saíram deles, carregadas de autoridade, fazendo a pressão de sua presença recair sobre Flávia.
Flávia engoliu em seco, murmurou um "ah" e abriu a porta.
O quarto era inteiramente decorado em tons de rosa-claro, com um estilo fofo que destoava completamente da aparência madura e séria de Heitor.
Ele franziu a testa ao entrar e se sentou no sofá, aos pés da cama.
— Então me diga, por que você não foi trabalhar nesses últimos dias? O que aconteceu?
— A vovó não te contou? — Flávia devolveu a pergunta.
— Quero ouvir de você. — Heitor cruzou as pernas e entrelaçou as mãos, deixando-as naturalmente diante do corpo. Ele girou os dedos delicadamente, com um semblante solene.
— O supervisor do meu departamento quer ficar comigo. Eu recusei, e então ele começou a dificultar as coisas para mim. Mano, você pode me transferir para outro departamento? — Flávia franziu a testa.
Era algo que ela não tinha se atrevido a contar para Judite.
Caso contrário, a avó seria capaz de ir pessoalmente até a empresa com uma faca, obrigar o gerente a abrir bem os olhos e se olhar no espelho para ver o tipo de pessoa que ele era.
Se isso acontecesse, todos saberiam quem ela é, e ela ainda queria brincar de "espiã" na empresa por mais dois anos.
— Já entendi. — Heitor não respondeu diretamente. — Assim que eu resolver as coisas com ele, você volta ao trabalho.
— É tão bom ter alguém para me proteger! Mano, quando você vai resolver isso? Posso voltar ao trabalho amanhã? — Os olhos de Flávia brilharam.
— Não tenha pressa. — Heitor fez uma pausa antes de continuar. — Você não tem descansado direito depois que começou a trabalhar. Fique em casa e descanse por mais dois dias.
Flávia arregalou os olhos e ficou encarando Heitor, confusa.
Algo estava errado. Heitor só sabia explorá-la. Desde quando ele tomava a iniciativa de deixá-la descansar por dois dias?
— Cecília pediu transferência e vai embora daqui a alguns dias. Arrume um tempo para encontrá-la. — Heitor foi incisivo.

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