Murilo era, sem dúvida, um típico herdeiro rico, amante de festas, barulho e excessos. Dizia-se que, no dia em que assumiu a empresa, a família Siqueira precisou mandar gente até um bar para arrastá-lo à força até o Grupo Horizonte.
Naquele momento, as garrafas de bebida sobre a mesa dele somavam facilmente uma fortuna de oito dígitos.
Entre todos os playboys, ele era o de melhor origem e o único, até agora, que realmente tinha assumido o comando de uma empresa.
As pessoas ao redor o cercavam, oferecendo cigarros, acendendo-os, servindo bebidas, chamando-o de "Mano Murilo" a todo instante.
— Sr. Murilo. — Cecília se aproximou e parou diante dele.
— Você veio. — Murilo empurrou a mulher que estava em seus braços e apontou para o lugar ao lado dele. — Sente-se aqui.
— Não precisa. Estou acostumada a ficar de pé. Se o senhor tiver algo, pode me dizer. — Cecília manteve os olhos baixos.
Ela não havia se produzido especialmente naquela noite, vestia uma calça preta de corte reto, um suéter simples e um casaco acolchoado preto por cima. Um visual discreto mas, que carregava uma elegância fria, distante. Mesmo sem esforço, bastava um olhar para que chamasse atenção.
— Mano Murilo, de onde saiu essa gata? — Perguntou alguém, curioso.
— Bonita, não é? — Com um cigarro entre os lábios, Murilo soltou um anel de fumaça e ergueu a sobrancelha.
— Bonita demais! Você tem bom gosto! — O outro riu, assentindo.
— Não exagera. — Respondeu ele, com um sorriso enviesado. — Por enquanto, ela ainda não é minha mulher.
Seu olhar, carregado de significado, percorreu Cecília de cima a baixo.
Desde que tinha visto Heitor pressionando-a contra o carro e beijando-a à força, não conseguia parar de pensar em como seria satisfatório roubar a secretária de Heitor. Mas roubar a mulher dele? Isso, sim, seria interessante.
Uma mulher tão bonita, se Heitor fosse um homem normal, não havia como não sentir nada por ela.
— Eu não te trouxe aqui para te fazer de assistente. Senta aí. Com tanta gente, você acha mesmo que eu faria algo contra você? — Ele sorriu mais abertamente e bateu novamente no lugar ao seu lado.
Cecília hesitou por um instante, mas acabou se aproximando e sentando-se, mantendo, ainda assim, uma distância segura.
— Vai beber leite ou refrigerante? — Surpreendentemente, ele não a pressionou.
— Água morna.
Murilo imediatamente chamou um garçom.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Após o Divórcio, Um Segredo. O Filho Não É Dele!