— Secretária Cecília, há um ano saiu uma notícia dizendo que Heitor tinha arranhões no pescoço. Você pode me dizer como aquilo aconteceu? — A curiosidade de Murilo remontava a muito tempo atrás.
Heitor era uma figura pública, e Cecília sempre teve cuidado para não deixar marcas nele. Exceto naquela única vez.
Naquele dia, ele tinha perdido o controle, e ela não conseguiu suportar.
Quem diria que, justamente daquela vez, a mídia captaria tudo.
Ainda assim, como a mulher que ele amava estava no exterior e nunca tinha se envolvido em escândalos, mesmo sem explicação, o caso acabou não ganhando grande repercussão.
— Não sei. — Respondeu Cecília, com frieza.
— Boca bem fechada. Pelo visto, só o Heitor consegue fazer você abrir. — Murilo estalou a língua algumas vezes.
Havia um claro duplo sentido em suas palavras, o beijo intenso daquela noite.
Cecília estacionou o carro em frente à casa dele e o lembrou:
— Sr. Murilo, não se esqueça do que me prometeu.
— Fique tranquila. — Ele abriu a porta e desceu, contornando o carro até o lado do motorista e batendo levemente no vidro. — Desce. Fica aqui até amanhecer e consideramos isso resolvido.
No dia seguinte era a véspera do Ano-Novo. Murilo teria que voltar para a casa da família Siqueira, não havia como levar Cecília junto.
Dois dias como "assistente" haviam se transformado em apenas uma noite. À primeira vista, parecia um bom acordo. Mas Cecília olhou para a mansão à sua frente. Valendo dezenas de milhões, luxuosa e ainda assim carregava um leve ar de perigo.
— Fique tranquila, você fica aqui sozinha. Eu vou embora. — Disse ele, dando leves tapas na lataria do carro. — Desce, vou abrir a porta para você.
Ele não tinha motivo para deixá-la ali até o amanhecer sem alguma intenção por trás. Cecília sabia disso, mas não tinha escolha. Desceu do carro e o seguiu para dentro da mansão.
Murilo acendeu as luzes e, num instante, toda a casa ficou iluminada como se fosse dia.
— Escolhe qualquer quarto. Pode ficar no que quiser. — Ele encostou-se na entrada, fazendo um gesto convidativo. — Sinta-se em casa. Relaxe e durma.
Pelo que Cecília sabia, depois de assumir o Grupo Horizonte, ele tinha sido obrigado pela família a morar em casa. Não havia motivo para ele voltar de surpresa.

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