— Sr. Heitor? — Cecília perguntou, confusa e surpresa. — Ele não está em Belnorte? Não está na empresa?
— Hã? Ele não foi...
Ele não tinha ido para Santa Marina?
Antes que Leandro pudesse terminar a frase, Heitor ligou.
— O Sr. Heitor está retornando a minha ligação. Vou desligar, Cecília! — Leandro desligou.
Do outro lado, Cecília ficou olhando para o telefone desligado, sem expressão.
Era perfeitamente compreensível que Leandro procurasse pelo Heitor. Mas ligar para ela para perguntar onde ele estava não fazia sentido. Ela nem sequer estava em Belnorte.
Cecília apertou levemente os lábios, enquanto a dúvida que se acumulava entre suas sobrancelhas demorava a desaparecer.
Naquela noite, Manuela pretendia dormir no apartamento que havia alugado, mas ainda faltavam alguns itens pessoais.
Como o trabalho não estava muito movimentado à tarde, Cecília saiu pontualmente e as duas foram juntas ao shopping fazer compras.
— Essa babá realmente valeu o dinheiro. Ela mimou tanto o Tetéu que ele nem quer mais me procurar. Quando ela está cozinhando, eu fico com o Tetéu, mas ele vive olhando para a cozinha.
Manuela empurrava o carrinho de bebê enquanto elogiava a babá sem parar.
— Isso é ótimo. Descanse por mais dois dias antes de voltar a trabalhar. — Cecília escolhia as coisas de que precisava enquanto respondia.
— Você acha que ele pode não ser mais apegado a mim e acabar tratando a babá como mãe? — O rosto de Manuela se enrugou.
Por um instante, Cecília ficou sem saber o que responder.
— Se você encontra uma ruim, fica insatisfeita com tudo. Se encontra uma boa demais, fica com medo de que seu filho não seja apegado a você. Você não acha que está sendo contraditória?
— Sou eu que mudo de ideia toda hora. — Manuela riu sem graça. — De qualquer forma, vou arranjar tempo para ficar mais com ele no futuro.
— Nos próximos dias, talvez eu fique muito ocupada com o trabalho. Pode ser que eu precise fazer hora extra à noite também, então não precisam esperar por mim para jantar.
Cecília havia usado o gerente do departamento de Relações Públicas como primeiro alvo. O próximo passo seria recuperar os poderes do gerente-geral. Quando começasse a exercer de fato as funções do cargo, ficaria ocupada a ponto de não conseguir parar nem para respirar.

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