O movimento de Cecília ao erguer o braço para abrir a porta do carro fez o vestido se ajustar às curvas de seu corpo. A pequena protuberância de seu ventre era bastante perceptível.
O olhar de Heitor desceu, pousando sobre sua barriga. Uma sensação indescritível o invadiu.
— Consegue se levantar? Eu ajudo. — Cecília se inclinou, colocando metade do corpo para dentro do carro, tentando ajudá-lo a sair.
— Eu consigo sozinho. — Ele moveu ligeiramente o braço, desviando-se do gesto dela.
Ao ouvir isso, Cecília endireitou o corpo e abriu espaço.
Heitor saiu do carro. Seus passos estavam um pouco instáveis enquanto caminhava em direção à casa dela.
Cecília fechou a porta do carro, tirou a chave da ignição e caminhou depressa para casa. Chegou à porta antes dele e a abriu.
— Aqui tem chinelos. — Ela se abaixou, querendo pegar um par de chinelos no armário.
De repente, seu pulso foi agarrado por uma mão firme. Heitor se agachou, abriu o armário e pegou os chinelos sozinho.
Cecília endireitou a cintura e girou o pulso, soltando-se da mão dele.
— Vou preparar alguma coisa para você comer. Depois você pode tomar o remédio. — Ela se virou e entrou na cozinha, aquecendo a sopa nutritiva que Manuela havia deixado.
Quando voltou, Heitor já estava sentado à mesa.
— Sr. Heitor, coma. Vou subir para arrumar o quarto para você. — Cecília colocou a sopa diante dele e lhe entregou uma colher.
— Depois eu arrumo sozinho. — Disse Heitor, comendo tranquilamente.
— Não precisa. Eu arrumo para o senhor.
A atitude de Cecília era extremamente respeitosa. Ela o tratava como seu superior. Aquela distância inabalável que mantinha fez as sobrancelhas de Heitor, que já estavam ligeiramente franzidas, se contraírem ainda mais.
— Seu chefe é uma pessoa de carne e osso, não um animal de sangue-frio. Ele não tem o hábito de explorar uma subordinada grávida no meio da madrugada, obrigando-a a arrumar a cama. — O desagrado em sua voz se intensificou de repente, ecoando por todo o ambiente.
A atmosfera foi ficando cada vez mais constrangedora.
Cecília achou que talvez tivesse sido o seu comentário para Manuela, "Ele é simplesmente um problema", que tinha deixado Heitor tão descontente.
No segundo andar, também não havia muito o que arrumar. Ela já havia organizado tudo depois que Manuela se mudou.
— Então, quando terminar de comer, deixe o prato na pia. Eu lavo amanhã. Vou para o meu quarto para descansar. — Cecília se virou para sair, mas de repente se lembrou de que Heitor ainda precisava tomar os remédios.

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