A porta do escritório se fechou.
O olhar de Heitor foi bloqueado, e ele retirou os olhos da porta.
— Heitor, eu trouxe um almoço que eu mesma preparei. — Nicole carregava uma marmita térmica. Ela a colocou sobre a mesa e foi abrindo cada compartimento cuidadosamente.
— Quando você volta para Belnorte? — Sem expressão alguma, Heitor perguntou.
As mãos dela congelaram por um instante, mas logo retomaram o movimento.
— E você? Quando vai voltar?
— Assim que você terminar os exames, eu volto. — Heitor recostou-se na cadeira. Sua postura era relaxada, transmitindo uma indiferença quase preguiçosa.
— Heitor, eu só queria vir te ver. — Nicole mordeu o lábio. Os olhos, já avermelhados de tanto chorar, voltaram a ficar úmidos. — Não estou tentando fugir dos exames. É que preciso escondê-los da minha mãe, e ainda não encontrei uma oportunidade adequada.
Heitor permaneceu em silêncio.
— Vamos almoçar juntos? — Ela insistiu. — Ouvi dizer que Rodrigo também está em Santa Marina. Podemos chamá-lo.
— Quem foi que disse que te Rodrigo está em Santa Marina? — As pálpebras de Heitor se ergueram lentamente.
O celular de Rodrigo havia sido confiscado por ele, e ele estava completamente sem contato com o mundo exterior. A menos que alguém tivesse investigado de propósito, ninguém saberia que ele estava na cidade.
— E-eu... Uma amiga minha encontrou o Rodrigo aqui. Ele não foi trabalhar como médico num hospital pediátrico? — Seu rosto denunciava um leve nervosismo enquanto ela tentava manter a conversa. — Ele não era obstetra? Como foi parar na pediatria?
— Não sei. — A voz de Heitor continuou baixa e indiferente.
— Então... quando formos almoçar, perguntamos a ele. — Nicole falou com cautela.

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