Através dos vidros escuros do carro, era possível distinguir vagamente a silhueta do homem.
As lentes douradas dos óculos sobre a ponte de seu nariz refletiram um brilho sombrio. O olhar que ele lançou para Cecília a fez ficar imóvel por um instante, como se o sangue tivesse congelado em suas veias.
Ela rapidamente recuperou a compostura e mudou de postura.
— Vamos entrar.
Pelo horário, Marcelo e ela provavelmente haviam ligado para Heitor praticamente ao mesmo tempo, mas Heitor não havia atendido à sua ligação.
Sua atitude deixava sua intenção bastante clara.
Cecília mordeu de leve a parte interna do lábio e entrou na empresa.
No último andar, na sala de reuniões.
Quando Cecília esperava o elevador, acabou ficando um passo atrás de Heitor.
A essa altura, ele já estava sentado na cabeceira da mesa. Com as pernas cruzadas, apoiava uma das mãos na borda da mesa. O relógio refletia a luz do escritório, projetando um pequeno brilho sobre as lentes douradas de seus óculos. Seus olhos estavam levemente semicerrados, profundos e insondáveis.
— Por que a senhora sempre foge quando surgem problemas, Sra. Cecília? — Marcelo tomou a iniciativa de atacá-la. — Já faz tanto tempo que isso aconteceu, e só agora você aparece na empresa.
Cecília entrou na sala.
— Sr. Heitor. — Ao passar por Heitor, disse em voz baixa.
Ignorando as palavras de Marcelo, ela caminhou e se sentou em seu lugar.
— Sr. Heitor, o departamento de relações públicas também falhou ao não conseguir lidar com essa crise a tempo. Foi uma grave negligência. Mas, por enquanto, vamos resolver primeiro o problema da Sra. Cecília. O senhor sabia que ela está grávida? — Vendo-se em vantagem, Marcelo aproveitou para pressioná-la ainda mais.
Se nem Heitor soubesse, isso significaria que Cecília havia escondido a gravidez de propósito. E seria mais uma acusação contra ela.

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