No banheiro, Cecília vomitou tudo o que tinha acabado de comer.
Quando o estômago esvaziou, vieram os espasmos e a ânsia seca, até que ela começou a expelir apenas líquido ácido.
Após um tempo indeterminado, de repente, uma mão grande, quente e seca pousou em suas costas curvadas, acariciando-a levemente.
— Você está bem? — A voz de Heitor soou atrás dela.
Cecília apenas balançou a cabeça repetidamente.
— E-estou bem... Sr. Heitor, por favor, saia. Não vale a pena sujar os seus olhos.
— Se arrume. Vou levá-la ao hospital. — Heitor lhe entregou um copo de água morna.
— Não precisa. — Cecília pegou a água, enxaguou a boca, deu descarga e pegou alguns lenços para limpar o rosto.
Só então se virou.
As bochechas claras estavam avermelhadas, os olhos úmidos de névoa. Sua aparência abatida despertava involuntariamente um sentimento de pena.
Heitor estava parado na entrada do banheiro. Seu corpo alto e elegante bloqueava completamente sua passagem.
— Nos próximos dias, o projeto de cooperação com a família Borba vai começar. Vamos ficar muito ocupados.
Ele queria dizer que, se ela estava doente, era melhor que tratasse logo para não afetar o trabalho.
Uma camada de lágrimas pairava sobre os olhos de Cecília, deixando sua visão ligeiramente turva. Mas, ainda assim, ela conseguia perceber que Heitor estava completamente inexpressivo. Não havia qualquer sinal de preocupação em seu rosto. Era apenas uma pergunta protocolar.
— Fique tranquilo, Sr. Heitor. Eu não vou atrasar o trabalho. — Ela balançou a cabeça e forçou um sorriso.
A parceria entre o Grupo Prospera e a família Borba nem sequer era tão importante assim. Pelo menos não a ponto de Heitor precisar supervisionar pessoalmente cada detalhe. Mas, por ser a família Borba, o tratamento era diferente. Heitor acompanhava tudo, decidindo cada etapa.
Ela abaixou os olhos. Mesmo com o rosto corado pelo mal-estar, ainda mantinha aquela uma delicada e suave. Mas, por trás da suavidade, havia uma teimosia obstinada, que desagradou Heitor.
— Foi você mesma quem disse que problemas de saúde são imprevisíveis.
Cecília prendeu a respiração. Ela não esperava que ele ainda se lembrasse disso.
Heitor trabalhava de forma quase obsessiva. Frequentemente passava noites em claro sem comer.
Cecília costumava se preocupar com a saúde dele. E foi nessa época que disse aquilo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Após o Divórcio, Um Segredo. O Filho Não É Dele!