Cecília levou dez minutos para preparar um caldo simples para curar a ressaca.
Ela a trouxe e entregou a Murilo. O vapor quente se espalhou entre os dois.
Do lado de fora, através da janela da cozinha, Heitor viu de relance os dois sentados lado a lado no sofá. Suas sobrancelhas se contraíram, seu olhar se tornou extremamente sombrio. Ele tirou um cigarro do bolso, colocou-o entre os lábios e o acendeu.
Dentro de casa, Cecília e Murilo estavam sentados a dois metros de distância um do outro.
— Agora pode falar? — Ela virou a cabeça para ele.
— A responsável pelo orfanato gastou todo o dinheiro que você e Manuela deram a ela. — Murilo fez uma expressão de pesar. — Ela aposta. Você sabia?
— Você... tem certeza? — Cecília ficou perplexa, com uma expressão vazia.
— Como eu poderia estar enganado? — Murilo tirou uma pilha de fotografias do bolso interno do paletó e as entregou a ela. — Veja você mesma.
Cecília pegou as fotografias. Eram dezenas delas. Cada uma havia sido tirada em um momento diferente, mas no mesmo lugar, e todas mostravam a mesma pessoa.
Edna parecia ter se transformado em outra pessoa. A mulher do orfanato, que sempre usava roupas velhas, avental e andava de rosto limpo, aparecia ali usando uma maquiagem pesada, um vestido vermelho vivo e sentada diante de uma mesa de apostas.
Um brilho de ganância cintilava em seus olhos, refletindo as pilhas de dinheiro espalhadas sobre a mesa.
— Isso... — Cecília sentiu que aquelas fotos eram falsas. — Isso é montagem, não é?
— Eu não tenho nenhuma desavença com ela. Por que inventaria uma história dessas? — Murilo bateu no próprio peito, garantindo. — Tudo isso foi descoberto pelas pessoas que mandei investigar.
A cabeça de Cecília começou a zumbir. Ela folheou as fotografias mais uma vez. Havia até imagens de mais de vinte anos atrás, quando Edna ainda era jovem. Isso significava que ela apostava desde a juventude.


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