— Se tiver alguma coisa que você não entenda, me liga. Mesmo que seja no meio da madrugada. — Cecília deu um tapinha no ombro dela e olhou na direção do escritório de Heitor.
A porta estava firmemente fechada, como se separasse completamente os dois espaços.
— Pronto, estou indo.
Rafaela parecia ter pensado em alguma coisa e estava quase chorando.
Cecília foi embora decididamente, com medo de que ela acabasse derramando lágrimas e isso atrapalhasse seu trabalho.
Rafaela estava prestes a acompanhá-la até o térreo da empresa. No entanto, nesse instante, o telefone interno sobre a mesa tocou.
— Entre. — A voz grave e atraente de Heitor veio do outro lado.
"Entre."
"Venha aqui um instante."
"Cecília, venha aqui."
Ela havia ouvido frases daquele tipo incontáveis vezes. A sensação familiar e, ao mesmo tempo, estranha a atingiu, fazendo com que seu movimento de entrar no elevador parasse por um instante.
— Ai, Cecília! — Rafaela se apressou, sem saber se deveria acompanhá-la ou não. — Espera por mim, eu já volto!
Cecília se virou e a viu correndo às pressas para dentro do escritório de Heitor.
A porta do escritório abriu e fechou, enquanto a silhueta do homem era projetada na parede pela luz da tarde.
Foi apenas um lampejo. Cecília desviou o olhar, entrou no elevador e foi embora.
Ela não havia contado a Manuela sobre sua demissão. Ao chegar em casa, simplesmente colocou o acordo de desligamento diante dela.
Manuela estava segurando Tetéu nos braços e enchendo-o de beijos, quando, de repente, se deparou com um documento à sua frente.
— O que é isso? Lê para mim. — Ela não deu muita importância.
— É o meu acordo de desligamento do Grupo Prospera. Aqui estão as assinaturas minhas e do Heitor. — Cecília abriu na última página e olhou para a assinatura de Heitor.


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