— Quer levá-la? Então conquiste isso com suas próprias habilidades. — Heitor virou-se e entrou na sala reservada.
Murilo caiu na gargalhada e o seguiu.
— Heitor, por que não chama a Cecília aqui e pergunta a opinião dela?
Enquanto falava, Heitor já havia puxado uma cadeira e se sentado, apoiando o pé em outra cadeira ao lado. O gesto bloqueou a intenção de Murilo de sentar-se ao lado dele.
— Ela não tem esse direito de escolher.
Não passava de uma secretária órfã. Por mais competente que fosse, ainda não estava no nível deles.
Murilo sentou-se do outro lado, separado por uma cadeira.
— Você é mesmo frio. Ela esteve ao seu lado por tantos anos, mas, aos seus olhos, não passa de uma peça do seu jogo. Você insiste em mantê-la por perto porque quer se vingar da Nicole por ter ido estudar no exterior?
Era a primeira vez que os dois se encontravam a sós.
A boca de Murilo não parava um segundo sequer, como se estivesse brincando com a morte.
Inesperadamente, Heitor não discutiu com ele. Apenas continuou servindo bebida.
— Você acha que consegue beber mais que eu?
Murilo tirou o paletó, colocou um pé sobre a cadeira, arregaçou as mangas e virou o copo inteiro.
Ele tinha praticamente crescido mergulhado em álcool.
Embora Heitor frequentasse muitas festas, ninguém ousava forçá-lo a beber. Como sua tolerância poderia competir com a de um bebedor experiente?
— Vamos beber! Hoje vou ganhar a Cecília com as minhas próprias habilidades! Se você cair bêbado, amanhã cedo entregue-a pessoalmente na porta do Grupo Horizonte e sem me cobrar multa contratual! — Murilo encheu os dois copos novamente. — Ela já não quer mais ficar no Grupo Prospera. Forçar não vai funcionar. Desde quando você ficou tão sem noção, Heitor?
Ele falava uma frase a cada copo que bebia. E a expressão de Heitor escurecia mais a cada frase ouvida.
Uma hora depois, Heitor ainda permanecia sentado, com a coluna perfeitamente ereta, apenas com um leve vermelho no canto dos olhos.
Em sua mão, segurava um copo com líquido escuro e o ergueu na direção de Murilo, que estava largado no chão como lama.
— Este último copo é para você. — Ele se abaixou e bateu levemente no rosto de Murilo. — Seja ela alguém que mantenho ao meu lado para irritar Nicole, seja apenas uma peça no meu jogo, ela não é alguém que você possa cobiçar. Desista disso.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Após o Divórcio, Um Segredo. O Filho Não É Dele!