— Você não acha que está chamando o menino de cachorro? — Heitor lançou-lhe um olhar.
Cecília ficou em silêncio, pensativa.
"Toto! Totó! Vem cá, Totó!" A voz chamando um cachorro parecia ecoar na mente de Cecília, como um sussurro demoníaco. Se Heitor não tivesse dito nada, ela nem teria pensado nisso. Agora, porém, já não conseguia olhar para aquele nome da mesma maneira.
— Cuida da sua vida! Toto, a madrinha já vai embora. — Manuela acrescentou, com ênfase. — Moleque, é melhor ir se acostumando a me chamar de tia!
Cecília a empurrou para fora, interrompendo o que ela estava prestes a dizer em seguida.
— Não precisa vir de novo. Volte para casa e cuide bem do Tetéu.
— Nem pensar! — Manuela sussurrou. — Mesmo que eu tenha que me transformar numa mosca, vou encontrar um jeito de superar todos os obstáculos para vir te ver. Espere notícias minhas.
Rodrigo estava esperando no fim do corredor.
Os guarda-costas ao redor permaneciam rígidos como estátuas, mas todos tinham ouvidos atentos.
Como não era conveniente conversar ali, Manuela só pôde ir embora.
Ainda assim, seu sangue fervia só de pensar que Cecília havia passado por algo tão importante como o parto sem ela estar ao seu lado. E que Cecília teria que viver em constante ansiedade, cuidando da criança sob o olhar atento de Heitor.
Ao chegar perto de Rodrigo, não conseguiu se conter e disparou:
— Você deve ter perdido o juízo para se envolver com alguém como Heitor!
Rodrigo não respondeu. Pego no fogo cruzado sem motivo algum, só pôde assistir, impotente, enquanto Manuela se afastava.
No quarto do hospital, Cecília fechou a porta e voltou para perto de Heitor.
— Me dê o bebê.
O pequenino havia adormecido nos braços de Heitor. Ele cobriu os olhos da criança com um pedaço de tecido fino e se sentou ao sol para aproveitar a luz do dia.
Tomás apresentava um leve quadro de icterícia, e Rodrigo havia dito que ele precisava tomar pelo menos meia hora de sol por dia.
— Eu fico com ele enquanto ele toma um pouco de sol. Assim, resolvemos as duas coisas de uma vez. — Heitor disse, fazendo sinal para Cecília voltar para a cama e se deitar.
Ela subiu na cama e se sentou, observando os dois, pai e filho, sentados ali ao lado dela. Uma mistura de sentimentos complexos e indescritíveis tomou conta de seu coração.


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