O trabalho estava tão intenso que Cecília passou até o sábado e o domingo fazendo hora extra.
Finalmente chegaram os dois dias de folga aprovados e ela foi ao hospital para fazer os exames.
Para evitar ser reconhecida, colocou máscara e boné, cobrindo-se completamente.
Na área de espera do pré-natal, todas as mulheres estavam acompanhadas. Entre tantos casais juntos, Cecília sozinha chamava atenção demais.
Ela procurou um lugar isolado num canto e se sentou.
Sob a aba do boné, seus olhos brilhantes repousaram sobre um jovem casal recém-casado, não muito longe dali.
Ela havia ouvido a conversa deles ao passar.
Os dois estavam casados há apenas três meses e já esperavam um bebê.
O casal transbordava expectativa e felicidade diante daquela nova vida que chegava. Seus rostos estavam cheios da alegria de se tornarem pai e mãe.
A mão de Cecília pousou suavemente sobre o baixo ventre. Um leve sorriso surgiu em seus lábios. Ela também aguardava ansiosamente a chegada daquela criança.
— Cecília? — Murilo segurava alguns exames nas mãos enquanto a observava de lado, não muito distante.
Cecília virou a cabeça ao ouvir a voz dele. Seu sorriso congelou imediatamente.
— É você mesmo! — Murilo parecia chocado. Caminhou até ela, quase trombando numa grávida de barriga enorme no caminho. — O que você veio fazer aqui?
Agora já era tarde demais para negar sua identidade.
— Eu... vim fazer exames. — Cecília levantou-se rigidamente.
Murilo olhou ao redor, observando uma grávida após a outra.
— Exame pré-natal?
— Ultrassom também faz parte de exames ginecológicos.
Além de Cecília, havia outras mulheres aguardando consultas ginecológicas. Mesmo assim, Murilo ainda parecia desconfiado.
— Do nada, resolveu fazer check-up? — Seu olhar percorreu Cecília da cabeça aos pés.
— Meu estômago anda ruim. Tirei folga por isso. Já que vim ao hospital, aproveitei para fazer um exame completo. O senhor ainda não recebeu alta? — Cecília mudou de assunto sem demonstrar qualquer nervosismo.
O rosto de Murilo escureceu imediatamente. Ele sentou-se na cadeira ao lado dela.
— Graças ao Heitor, vou precisar ficar internado mais um tempo.


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