— Você me confundiu com outra pessoa. — Cecília entregou o cartão. — Meu sobrenome não é Leal.
A atendente apenas sorriu e tirou uma foto da bolsa.
— Srta. Cecília, sua foto já foi distribuída para todos os funcionários do shopping.
As feições de Cecília eram extremamente marcantes. Ela parecia idêntica à foto.
Assim que entrou no shopping, alguém a reconheceu e enviou a imagem no grupo interno dos funcionários.
— Desculpe, então não vou mais levar os sapatos. — Cecília soltou as caixas e se virou para ir embora.
— Srta. Cecília, se a senhora não aceitar, o Sr. Murilo vai culpar a gente! — A atendente rapidamente pegou os sapatos e correu atrás dela, enfiando as sacolas em suas mãos.
— Isso mesmo, Srta. Cecília! Por favor, não dificulte as coisas para a gente! — Outra atendente bloqueou seu caminho.
Pelo temperamento de Murilo, ele realmente faria aquilo. As duas funcionárias estavam quase implorando. Cecília, por outro lado, sentiu-se impotente.
— Depois eu transfiro o dinheiro para o Sr. Murilo. —
Somente depois de aceitar os sapatos conseguiu sair dali sem mais insistência.
Ela dirigiu diretamente para o Grupo Prospera.
Ao chegar à empresa, pegou a pasta e foi direto para a sala de reuniões.
O gerente do departamento de projetos estava explicando os pontos centrais da parceria com a família Borba. A reunião já durava uma hora e meia.
Heitor estava reclinado na cadeira, com as pernas cruzadas de maneira relaxada e preguiçosa.
Quando Cecília empurrou a porta, vários olhares imediatamente se voltaram para ela. Ela fez um leve aceno de cabeça em cumprimento antes de caminhar até Heitor e se sentar ao lado dele.
— Presidente Heitor. — Ela cumprimentou-o em voz baixa.
Heitor levantou os olhos lentamente em direção a ela, como resposta.
— Embora o Grupo Prospera já tenha executado muitos projetos semelhantes antes, fique tranquilo, Sr. Heitor. Não vamos relaxar em nenhum aspecto. Garantiremos a máxima estabilidade possível na conclusão do projeto.
Ao perceber o quanto Heitor levava aquela parceria a sério, o gerente de projetos começou a sentir uma pressão enorme.
Para a família Borba, aquela colaboração era crucial. Determinaria se eles conseguiriam subir ainda mais de posição. Mas, para o experiente Grupo Prospera, um projeto daquele nível não justificaria tamanha mobilização. Só que o parceiro era a família Borba. E, por isso, Heitor estava pessoalmente supervisionando tudo. A pressão sobre todos era dobrada.
Mesmo chegando no meio da reunião, Cecília rapidamente acompanhou o ritmo. Ela começou a registrar com eficiência todos os pontos importantes do projeto, organizando-os um por um antes de virar o notebook na direção de Heitor.

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