Mas Cecília também não podia simplesmente ficar calada. Isso equivaleria a admitir culpa.
— Eu não tenho motivo para trair o Grupo Prospera, muito menos você. — Ela encarou o perfil de Heitor, a voz tremendo levemente por causa da dor amarga que apertava seu peito.
Nicole soltou uma risada fria e se levantou abruptamente.
— Estão lhe dando uma chance para se explicar, não para inventar desculpas absurdas!
Cecília nem sequer olhou para ela. Seu olhar permanecia fixo apenas em Heitor.
Apesar de já estar desiludida, naquele momento uma esperança involuntária ainda surgiu dentro dela. E se Heitor acreditasse nela?
Se ele acreditasse, não importava se os diretores acreditassem ou não, ela não seria tachada como traidora.
— Heitor! — Vendo Cecília encará-lo sem parar, Nicole segurou o braço dele. — Você prometeu agir de forma justa! As provas estão bem diante dos seus olhos, o que mais ela precisa explicar?
A linha do maxilar de Heitor se tensionou. Os olhos profundos dele recaíram sobre Cecília.
— Não é à toa que conseguiu o apoio do Murilo. A Srta. Cecília fala com bastante convicção.
O coração de Cecília disparou.
Aquelas palavras eram praticamente uma condenação. As fotos espalhadas sobre a mesa mostravam ela e Murilo em vários momentos. Tudo parecia já ter sido definido.
— Acho que o Sr. Rafael e os outros estão certos. Não podemos deixá-la escapar facilmente. Além da demissão, ela também deve responder judicialmente. — Nicole mal podia esperar para sentenciá-la. — Heitor, chame agora mesmo o departamento jurídico...
A respiração de Cecília falhou. Ela mordeu levemente o lábio enquanto olhava para Heitor.
Ele lançou um olhar ao relógio de pulso e franziu a testa, como se estivesse esperando alguém.
De repente, uma batida abafada soou na porta da sala de reuniões, quebrando a atmosfera cada vez mais tensa.

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