— Não tem problema. Sua saúde vem em primeiro lugar. — Murilo apoiou uma mão no batente da porta e sorriu para ela de forma radiante.
Claro que não tinha problema. Quanto mais Cecília dormisse, mais trabalho seria atrasado e mais vantagem ele teria.
— Sr. Murilo. — Ao perceber que era ele, Cecília ainda parecia um pouco aflita. — Precisa de alguma coisa?
— Vamos almoçar juntos. — Murilo inclinou a cabeça.
— Não tenho tempo. — Cecília balançou a cabeça.
Instintivamente, olhou para a porta do quarto em frente e viu que continuava fechada. Será que Heitor já tinha saído para trabalhar?
— Você tem tempo. — Sem nem olhar para trás, Murilo apontou para a porta oposta. — Heitor ainda está afundado nos braços da bela. Ele pediu dois bifes para entregarem no quarto na hora do almoço.
A tensão de Cecília desapareceu instantaneamente. Sua mão apertou a maçaneta da porta, e os olhos perderam o brilho.
— Então vou dormir um pouco mais.
Ela tentou fechar a porta, mas Murilo a impediu.
— Não dorme mais. Aposto que Heitor deixou Nicole tão acabada que ela nem consegue sair da cama, por isso vão comer no quarto. Mas isso não significa que ele não vá trabalhar hoje.
Se existia alguém mestre em apunhalar emocionalmente os outros, Murilo certamente ficava em primeiro lugar.
— Vai se arrumar e desce para almoçar comigo. Se ele precisar de você para trabalhar, não vai atrapalhar em nada.
A recusa ficou presa na garganta de Cecília.
— Presidente Heitor. — De repente, ela olhou para trás dele.
Com um estrondo, Cecília fechou a porta na cara dele.
— Depois de tanto tempo com Heitor, até você ficou malvada... — A voz irritada de Murilo ecoou do lado de fora.
Cecília voltou para a cama, pegou o celular, mas não havia nenhuma mensagem de Heitor.
As palavras de Murilo apertaram seu peito. Ela virou o corpo e enterrou a cabeça no travesseiro.

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