Cecília sentiu que precisava ter uma conversa séria com Murilo. Ela voltou para o quarto com o almoço embalado e, enquanto comia, mandou uma mensagem para ele.
[Sr. Murilo, eu sou só uma mulher comum. Por favor, não me jogue na fogueira.]
Poucos segundos depois, alguém bateu à porta.
— Cecília, sou eu! — A voz de Murilo veio do lado de fora.
Cecília fez menção de levantar, mas tornou a se sentar, continuando a responder pelo celular.
[Não vou atrapalhar seu almoço. Podemos conversar por mensagem mesmo]
O lado de fora ficou silencioso. Logo em seguida, chegou a resposta dele.
[Mesmo que eu não faça nada, a Nicole não vai deixar você em paz. Fique tranquila, não vou deixar ninguém te machucar]
Cecília respondeu: [Se fizer isso de novo, não me culpe por não lhe dar mais consideração]
Ela não estava negociando, estava avisando. Mas seu tom firme não conseguiu fazê-lo recuar.
[Da próxima vez, vou prestar mais atenção. Vou tentar não te colocar em situações difíceis]
Ou seja, ele continuaria fazendo aquilo, só tomaria mais cuidado. Mas Cecília não queria "mais cuidado", ela queria que ele parasse.
Ela bloqueou a tela do celular e o jogou para o lado. Seu rosto estava tomado pela irritação.
Depois de pensar bastante, enviou mais uma mensagem:
[Então se cuide]
Passos ecoaram do lado de fora e Murilo finalmente foi embora.
Às três da tarde, sons e vozes surgiram no corredor.
— Depois de passarmos tempo no cânion, vamos procurar algum lugar para jantar por perto! — A voz animada de Nicole ecoava sem parar ao redor de Heitor. — À noite vai ter show de fogos de artifício no parque! Eu também quero ver!
Heitor vestia roupas casuais, seu olhar permanecia o tempo todo sobre Nicole.
— Presta atenção por onde anda. Vai acabar esbarrando em alguém.
Nicole caminhava de costas, inclinando a cabeça para encarar o rosto dele.

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