Cecília se assustou tanto que quase deixou o celular cair. Só então abaixou os olhos e percebeu que quem havia ligado não era Manuela, e sim Heitor.
O tempo da ligação continuava correndo na tela, segundo após segundo. E o ar ao redor dela parecia ter sido completamente sugado.
— Sr. Heitor...
— Volte.
Tu... tu... tu...
Apenas uma palavra, mas carregada de uma pressão sufocante que atingiu Cecília em cheio.
A ligação foi encerrada e a expressão dela ficou pesada.
— Por favor, embrulhe tudo. — Ela entregou rapidamente as roupas à atendente e foi até o caixa pagar.
— O que aconteceu? Quem ligou? — O tom de Murilo escondia uma excitação impossível de disfarçar.
— O Sr. Heitor. Acho que ele voltou para o hotel. — Enquanto pagava, Cecília respondeu.
— Impossível. — Murilo respondeu sem nem pensar.
Cecília não discutiu. Independentemente de Heitor ter voltado ou não para o hotel, o fato era que ela havia saído para passear sem avisar, e agora ele sabia.
Cinco minutos depois, Cecília saiu do shopping carregando duas sacolas e pegou um táxi de volta para o hotel.
Não importava o quanto Murilo insistisse, ela não entrou no carro dele.
Às seis da tarde, Cecília voltou ao quarto, deixou as compras e foi bater na porta da suíte em frente.
Depois de bater por bastante tempo, ninguém abriu. Sem escolha, ligou para Heitor.
— Sr. Heitor, já voltei.
Do outro lado da linha, o ambiente era barulhento, parecia um lugar público. Ela conseguia ouvir as risadas de Nicole.
Heitor ficou em silêncio por alguns segundos antes de responder:
— Entendido. Estou voltando agora.
Cecília ficou perplexa.
Ele não estava no hotel? Então, por que parecia tão urgente quando ligou para ela? Não deveria haver trabalho importante para resolver?
Cheia de dúvidas, Cecília voltou para o quarto para esperar.

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