Percebendo que Cecília já havia desistido de esconder qualquer coisa, Murilo soltou um estalo com a língua.
— Eu prometo que não vou contar. Vou só assistir ao espetáculo!
Mas, em pensamento, repetia sem parar: "Isso não vai ficar escondido por muito tempo, não vai mesmo!". Ainda assim, ele esperava que a verdade só explodisse depois que a criança nascesse.
O único herdeiro da família Siqueira, o homem que comandava o Grupo Prospera, com um filho bastardo!
Que notícia bombástica seria. E talvez a única chance de sua vida de ficar por cima de Heitor.
— Espero que cumpra sua palavra. — Cecília assentiu antes de acrescentar: — Se quebrar a promessa, nunca mais conseguirá andar de cabeça erguida diante do Heitor.
Murilo ficou perplexo.
Tudo o que precisava ser dito já havia sido dito. Quanto ao resto, só restava deixar nas mãos do destino.
Cecília virou-se para sair e foi tomar um pouco de ar do lado de fora. Assim que ela saiu, Murilo entrou imediatamente nas fontes termais e foi direto até onde Heitor estava.
— Sr. Murilo, onde o senhor se meteu esse tempo todo? — Álvaro parecia curioso com o desaparecimento dele.
— Aconteceu um pequeno acidente agora há pouco. Acabei me envolvendo numa situação que decide vidas. — Murilo entrou na água e lançou um olhar sugestivo para Heitor.
— Aconteceu alguma coisa? — Ao ouvir isso, Álvaro olhou na direção de onde ele havia vindo.
— Eu... — Ao ver Heitor sentado ali, elegante e indiferente como sempre, Murilo quase deixou escapar, destruindo aquela expressão tranquila e superior dele. As palavras chegaram à ponta da língua, mas ele se segurou à força. — Não leve a sério, Sr. Álvaro. Foi só uma brincadeira.
Álvaro olhou para ele, intrigado, e depois para Heitor, que não demonstrou o menor interesse pelo que ele havia dito. Pegou o celular ao lado da piscina e ligou para Cecília.
— Traga café.
— Pode chamar o garçom. — Álvaro imediatamente comentou.
— Quero que ela venha. — A expressão de Heitor permaneceu indiferente.
Do lado de fora havia um pequeno jardim. Cecília estava sentada num banco, revivendo mentalmente a conversa que havia tido com Murilo e se arrependendo profundamente de ter admitido tudo. Mesmo sabendo que negar seria inútil diante dele, ainda assim não conseguia controlar a irritação e a impotência que sentia.

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