— Muito bem. — A voz de Murilo voltou ao tom despreocupado de sempre. — Agora sim, eu confio plenamente em você.
— O que quer dizer com isso? — Cecília ficou surpresa.
Murilo soltou uma risada baixa.
— Quero dizer que eu não vou pagar os dois milhões da sua multa contratual, mas...
Com um baque, Cecília desligou na cara dele e jogou o celular de lado.
Em seu rosto pálido não havia muita surpresa nem raiva, só um cansaço profundo e uma sensação interminável de impotência.
Pelo menos Murilo parecia temporariamente controlado, mas o peso dentro de seu coração ficava cada vez maior.
Na manhã seguinte, Heitor voltou a levá-la para encontrar Álvaro, dessa vez na residência da família Menezes.
Novamente, Cecília ficou encarregada de fazer companhia a Catarina enquanto Heitor conversava sozinho com Álvaro na sala de estar.
— Você acha que eles vão conseguir fechar negócio hoje? — Catarina segurava um copo de suco enquanto semicerrava os olhos para admirar as flores do jardim.
— Espero que sim. — Cecília assentiu levemente.
Catarina pousou o copo e apoiou o braço no encosto da cadeira, inclinando-se na direção dela.
— O seu chefe é alguém importante, aquela noiva dele não combina nem um pouco com ele.
Ela nunca teve contato com o mundo dos negócios e também não conhecia as pessoas do círculo empresarial. Mas, nos últimos tempos, as notícias sobre Heitor e Nicole estavam por toda parte. Ela tinha visto algumas matérias e, por isso, no dia anterior sentiu que Heitor lhe parecia familiar.
Depois de pesquisar, descobriu quem ele era.
Cecília não sabia exatamente qual era a origem da Catarina, mas o ar nobre e elegante que ela carregava em cada gesto deixava claro que vinha de uma família influente. Talvez até superior à família Borba.
— A Srta. Nicole e o Sr. Heitor cresceram juntos. Pode-se dizer que são compatíveis em classe social.

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