Ao sair do quarto, Elisa Ferreira ouviu um ruído, como um sussurro.
Seu coração apertou de repente. Quando chegou na noite anterior, tudo estava bem; por que agora ouvia esses sons estranhos?
Será que havia um rato, ou um ladrão tinha entrado?
Elisa Ferreira umedeceu os lábios, nervosa, e caminhou cautelosamente na direção do som.
De repente, uma sombra escura se levantou.
Elisa Ferreira levou um susto tremendo, gritando e recuando.
Por não estar familiarizada com o ambiente, não percebeu o que havia a seus pés, tropeçou e caiu sentada no chão.
— Ai…
— Que dor.
Elisa Ferreira inspirou bruscamente, sentindo como se tivesse quebrado o cóccix.
Ouvindo o barulho, a sombra se virou na direção de Elisa Ferreira.
— Elisa Ferreira?
Ao ouvir a voz familiar, Elisa Ferreira finalmente relaxou. Com a mão no peito, ela disse:
— Daniel Barbosa, o que você está fazendo aqui? Quase me matou de susto.
Daniel Barbosa franziu a testa e disse:
— Melina me contou que você ficaria aqui por uns dias, então te liguei, mas você não atendeu. Tive que vir e tocar a campainha, mas você também não abriu, então entrei.
Então era isso.
Elisa Ferreira pensou que, para evitar as ligações de Valéria Barbosa, havia desligado o celular, sem imaginar que causaria tal mal-entendido.
Ela disse:
— Desculpe, meu celular estava desligado.
— Então, você veio aqui antes do amanhecer para…
Daniel Barbosa explicou:
— Vim procurar um arquivo. Lembro que o deixei aqui, mas agora não consigo encontrar.
— Na faculdade também não o achei, e se não está aqui, então deve ter se perdido.
— Perdido? É muito importante? — perguntou Elisa Ferreira.
Daniel Barbosa assentiu levemente.
— É.
— O que é? Deixe-me ver se tenho alguma lembrança — disse Elisa Ferreira.
Daniel Barbosa se virou, e o sorriso no rosto de Elisa Ferreira desapareceu, substituído por um rubor.
Só Deus sabia o quão nervosa ela estava naquele momento; seu coração quase saltou pela boca!
Mas, ela devia ter disfarçado bem, pois Daniel Barbosa não pareceu notar nada de estranho.
Elisa Ferreira correu para o banheiro, lavou o rosto e finalmente se sentiu um pouco melhor.
Olhando-se no espelho, com o rosto molhado, ela não pôde deixar de se repreender mentalmente: Elisa Ferreira, você está mesmo desesperada.
Daniel Barbosa não encontrou o que procurava, e a essa altura, o dia já havia amanhecido.
Elisa Ferreira disse:
— Você não tomou café da manhã, não é? Deixa que eu pago.
— Vai pedir entrega? — perguntou Daniel Barbosa.
Ele achava impossível que uma dama da alta sociedade como Elisa Ferreira cozinhasse com as próprias mãos.
Elisa Ferreira fez um som de desdém.
— Você me subestima demais. Consigo preparar um café da manhã simples.
Daniel Barbosa a seguiu até a cozinha e a observou, desajeitada, tentando alcançar algo no armário de cima com grande dificuldade.

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