Último capítulo - Théo Narrando
Eu nunca vou esquecer o dia em que entramos naquela sala fria de ultrassonografia. Ava estava nervosa, mordendo o lábio, os dedos entrelaçados aos meus como se segurasse sua última fonte de segurança. A médica passou o gel gelado na barriga dela e, de repente, o monitor acendeu com aquele som inconfundível: o coração do nosso bebê. Forte. Vivo. Ali, dentro dela, pulsava metade de mim e metade da mulher que eu mais amo no mundo.
— Já dá pra saber o sexo? — perguntei, sem esconder o tremor na voz.
A médica sorriu e girou o monitor em nossa direção.
— Sim. É uma menina.
Naquele instante, meu coração disparou. Ava levou as mãos ao rosto e as lágrimas escorreram sem controle. Eu me inclinei, beijei sua testa e sussurrei, decidido:
— Vai se chamar Ella.
Ela me olhou assustada, a respiração entrecortada.
— Ella... igual à minha mãe?
— Sim. — engoli em seco, sentindo a emoção me sufocar. — O nome dela vai carregar a força e a doçura da mulher que deu a luz a pessoa mais incrível desse mundo.
Ava soluçou e chorou no meu peito. Eu a segurei como se pudesse protegê-la do mundo inteiro. E, naquele instante, soube que nada jamais seria mais importante.
A gravidez transformou minha vida de uma maneira que eu nunca poderia imaginar. Eu via a cada dia a mudança no corpo de Ava, o inchaço das mãos, o brilho nos olhos, os hormônios que a faziam oscilar entre o riso fácil e o choro repentino. Mas, para mim, ela nunca esteve tão linda. Eu dizia isso a ela o tempo todo, porque era verdade.
— Você está a coisa mais linda desse mundo, Ava. — repetia enquanto acariciava sua barriga já arredondada.
Ela ria, meio envergonhada, e respondia:
— Você só fala isso porque me ama.
Mas não era só isso. Ela estava diferente, quase mágica. O brilho da gravidez fez dela uma visão que eu nunca me cansava de admirar. Cada curva nova, cada mudança, era a lembrança viva de que estávamos criando uma vida juntos.
Eu ia em todas as consultas médicas, segurava a mão dela, fazia questão de estar presente. De noite, ficava deitado com a cabeça no colo dela, ouvindo os pequenos movimentos de Ella. Cada chute era um lembrete de que logo eu teria a chance de segurar minha filha nos braços.
Quando as primeiras contrações começaram, eu estava em casa com Ava. Ela parou de repente, levou a mão à barriga e respirou fundo.
— Théo, acho que tá começando.
Meu coração quase saiu pela boca. Peguei as malas que já estavam prontas havia semanas e corri para levá-la ao hospital. No carro, ela apertava minha mão com tanta força que parecia querer arrancar minha pele.
— Vai dar tudo certo, meu amor. Eu tô aqui. — repetia, mesmo tremendo por dentro.
No hospital, os minutos pareceram horas. Eu fiquei ao lado dela o tempo todo, enxugando seu suor, beijando sua testa, incentivando cada esforço. Ava era guerreira. Forte. Linda. Eu nunca admirei tanto alguém em toda a minha vida.
— Eu não aguento mais... — ela murmurava exausta.

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